“A fome só se satisfaz com a comida 

 e a fome de imortalidade da alma

com a própria imortalidade.

Ambas são verdadeiros instintos.”

Fernando Pessoa

Projeto de Lei Nº 1.629, de 1965 (Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara – Diário Oficial de 28/07/1965, página 1.753):

Reconhece oficialmente a “Medalha Comemorativa da Concentração dos Descendentes dos Povoadores do Rio de Janeiro”.

Autor: Dr. Everardo Magalhães Castro

Despacho: Às Comissões de Constituição e Justiça, Educação, Saúde, Trabalho e Assistência Social.

A Assembleia Legislativa do Estado da Guanabara resolve:

Art. 1º – Fica oficialmente reconhecida como “Medalha Comemorativa da Concentração dos Descendentes dos Povoadores do Rio de Janeiro”, a Medalha que o Colégio Brasileiro de Genealogia outorgará, juntamente com o Diploma comprovante da ascendência, aos descendentes dos povoadores do Rio de Janeiro, na festa patrocinada pela Superintendência do IV Centenário a realizar-se no dia 24 de julho de 1965, no Parque do Flamengo.

Art. 2º – A “Medalha Comemorativa da Concentração dos Descendentes dos Povoadores do Rio de Janeiro” terá no verso a expressão: “Concentração dos Descendentes dos Povoadores do Rio de Janeiro – 1565 – 1965” e no anverso a inscrição latina: “In venas meas sanguinis ilius” (“Nas minhas veias o sangue deles”), sendo mandada cunhar sob a exclusiva responsabilidade do Colégio Brasileiro de Genealogia, sem quaisquer ônus para os cofres do Estado.

Art. 3º – Esta Lei entrará em vigor na data da sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Sala das Sessões, em julho de 1965 – Everardo Magalhães Castro.

Justificação:

Como parte dos festejos do IV Centenário do Rio de Janeiro, a Superintendência do IV Centenário promoverá uma festa no dia 24 do corrente mês, concentrando os descendentes dos povoadores da Cidade no Parque do Flamengo.

Comemoração inédita, a concentração marcará a passagem do IV Centenário da Cidade com um espetáculo brilhante e comovedor. É que se pretende concentrar milhares de descendentes dos dezoito troncos povoadores da terra carioca. Não há festejo paralelo no Brasil ou no Mundo.

A responsabilidade da autenticidade da ascendência esta afeta ao Colégio Brasileiro de Genealogia, que outorgará Diplomas comprovantes aos legítimos descendentes dos povoadores.

Para maior brilhantismo e perpetuação da efeméride. O Colégio Brasileiro de Genealogia resolveu mandar cunhar Medalhas comemorativas, sem ônus para os cofres do Estado, as quais serão entregues aos descendentes dos povoadores, juntamente com o Diploma Genealógico.

Pela relevância das festividades, resolvemos apresentar o presente projeto de Lei em homenagem aos valorosos povoadores da URBS carioca, na expressão bíblica: Enaltece Rei os Pais nos Filhos.

Juntamos, ainda, os Estatutos do Colégio Brasileiro de Genealogia, bem como as informações prestadas pelos seus responsáveis.

A Medalha comemorativa foi artisticamente gravada pelo Sr. Frederico Lohmann. Em losango, de pontas cortadas, tem no anverso o Brasão do Rio de Janeiro com os anos da fundação e da comemoração, um de cada lado do escudo; circundando, a inscrição “Concentração dos Descendentes dos povoadores do Rio de Janeiro”. No verso, a cruz simbólica do IV Centenário, ao centro, enfeixada com o dístico “In venas meas sanguinis ilius” (nas minhas veias o sangue deles).

Quando da chegada dos portugueses ao Rio de Janeiro, o território foi distribuído em sesmarias para a instalação de engenhos para o cultivo de cana-de-açúcar.

As terras situadas nas margens da Lagoa (atuais bairros da Gávea, Jardim Botânico e Lagoa) eram habitadas pelos índios Tamoios.

O português Antônio de Salema, jurista formado em Coimbra, foi Governador e Capitão-Geral da Capitania do Rio de Janeiro no período de 1575-1578, nomeado por alvará em 7 de março de 1570, por El Rei. Partiu de Lisboa para assumir o cargo aos 6 de junho de 1570. Ergueu às margens da Lagoa de Sacopenapã ou Sacopã um engenho de açúcar que chamou de Engenho d’El Rei, que em fins do século XVI, foi vendido a Diogo de Amorim Soares e, sucessivamente, a Sebastião Fagundes Varela e Rodrigo de Freitas Melo e Castro, a quem se deve o atual nome da lagoa. Em 15 de janeiro de 1577, El Rei determinou o retorno de Salema a Portugal. Descendente de família nobre, nascido em Alcaçar do Sal, morreu em Lisboa em 13 de março de 1586.

Por arrendamento enfitêutico, em 1598, assumiu referida área Diogo Amorim Soares, escrivão da alfândega, passando o nome para Lagoa de Amorim Soares.

De acordo com os termos da escritura de venda, lavrada em 1609, em favor de Sebastião Fagundes Varela, o engenho pertencera à Fazenda Real, passando, posteriormente, a ser propriedade de Rodrigo de Freitas Melo e Castro, cujo nome se ligou, até os nossos dias, a antiga Lagoa de Sacopenapã.

Diogo Amorim Soares era um homem rico, morador no Morro do Castelo e dono de casas em diversas ruas da cidade, sobretudo na Rua Direita, tendo sido obrigado a se desfazer de todas as suas propriedades e se retirar da cidade em 1609, quando foi lavrada a escritura de venda do engenho em favor de seu genro Sebastião Fagundes Varela, casado em 1608 com Maria de Amorim Soares.

A Capela de Nossa Senhora da Conceição foi construída no período em que o engenho foi propriedade de Diogo de Amorim Soares.

Sebastião Fagundes Varela ampliou suas propriedades nessa área, por volta de 1620, estendendo-as dos atuais bairros do Humaitá até o Leblon, constituída por 58 chácaras, um dos grandes latifúndios da, à época, periferia do Rio de Janeiro.

Além de explorar o engenho, criava gado e extraía madeira da região.

Essa vasta sesmaria incluía importantes capelas: a Capela de Nossa Senhora da Conceição, a principal e maior do engenho e a pequena Capela de Nossa Senhora da Cabeça (1603), pouco conhecida, mas uma das joias do patrimônio do Rio de Janeiro.

Em 1613, Sebastião Fagundes Varela, mantida a capela da santa de devoção de seu sogro, construiu uma nova ermida, dedicada à Nossa Senhora do Rosário.

No início do século XIX, com a chegada da Família Real Portuguesa, o Príncipe Regente a expropriou (1808) para construção no local de uma fábrica de pólvora e a instalação do Real Horto Botânico (atual Jardim Botânico).

Segundo Celso de Martin Serqueira (www.serqueira.com.br), um ano após apoderar-se da área, D. João visitou o local e teria sido mal recebido pelos indignados ocupantes das terras vizinhas, que estariam aborrecidos com a intrusão da Corte e fim do engenho.

Os proprietário teriam mandado seus feitores e escravos para a beira dos caminhos e à passagem do cortejo, todos teriam arriado suas calças. Por conta deste original protesto, D. João teria mandado prender os escravos e teria cassado ‘ad eternum’ todos os direitos, mercês e benesses oficiais dos feitores e donos daqueles arredores.

>>> Ascendência e Descendência de Sebastião Fagundes Varela <<<

Dentre os dezoito troncos povoadores da terra carioca, um deles é o de Sebastião Fagundes Varela, natural de Viana do Castelo, Portugal, nascido em 1583, falecido no Rio de Janeiro, em 29/07/1639, aos 56 anos.

Tendo tentado, com os dados acima, obter uma cópia da certidão de nascimento de Sebastião Fagundes Varela, informou-me a Diretora do Arquivo Distrital de Viana do Castelo, Maria Clotilde de Mendonça Amaral, que tais elementos eram insuficientes para dar início a quaisquer pesquisas que permitissem sua localização. Ainda de acordo a Diretora, a denominação Viana do Castelo poderia ser entendida como a capital do distrito, onde está o Arquivo Distrital, ou o Concelho do mesmo nome, ou todo o distrito. O distrito de Viana do Castelo é formado por 10 concelhos, entre os quais o de Viana do Castelo, que perfazem no seu todo cerca de 300 freguesias, todas densamente povoadas. Além do que, há poucas paróquias, nos vários concelhos, cujos assentos recuem ao ano de 1583. Seria preciso conhecer de que freguesia era natural Sebastião Fagundes Varela.

Nesta mesma oportunidade, informou-me da existência de um estudo publicado há alguns anos, da autoria de Pedro de Magalhães Abreu Coutinho, ‘Fagundes e a descoberta do Canadá’, com que fui contemplada pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, através da Divisão de Biblioteca, Documentação e Arquivo, que muito agradeci ao Diretor da Biblioteca Pública Municipal de Viana do Castelo, Dr. Rui A. Faria Viana, através do Sr. Porfírio Pereira da Silva.

Trata-se, na verdade, de um estudo sobre João Álvares Fagundes, a vida e a viagem deste navegador vianense por terras do Canadá e um estudo genealógico sobre sua família, cuja única filha casou com um Senhor do Solar de Cortegaça.

“João Álvares Fagundes deve ter nascido em Viana no 3º quartel do século XV e pertencia a uma das principais famílias da então vila, que em 1498 tinha carta de brazão de armas.”

“Quando se fala no seu nome, em Viana, logo se acrescenta: ‘o capitão da Terra Nova’.

Esta é a genealogia de João Álvares Fagundes:

João Fagundes, Senhor do Prazo de Geraz (1340) & … 

Joaneanes Fagundes, Abade de Serreleis (1360) &

  – Maria Anes (1380) & João Paes, o Tabelião

    – Álvaro Anes Fagundes & Catarina Dias

      – João Álvares Fagundes (1470) Quem passa bem junto do navio Hospital Gil Eannes, agora museu, vislumbra a estátua de um dos muitos aventureiros navegadores do século XVI, dos muitos que deram novos mundos ao mundo: João Álvares Fagundes.” (Aurora do Lima, 17/12/2020)

João Álvares Fagundes

JOÃO ÁLVARES FAGUNDES – O Capitão da Terra Nova

“Capitão da Terra Nova e descobridor das Ilhas do Bacalhau”
João Álvares Fagundes, era natural de Viana, filho de Álvaro Anes Fagundes e deve ter nascido aí por 1470, em plena época dos descobrimentos.
A Viagem de João Álvares Fagundes, de que há conhecimento certo, “deve ter sido realizada de Abril a Outubro de 1520” (data referida no pedestal da sua estátua existente em Viana do Castelo, junto ao Rio Lima).
“… morreu seguramente antes de 1527…”
“… jaz sepultado na Igreja Matriz de Viana do Castelo, na Capela de Santo Cristo. Na mesma igreja, na Capela dos Fagundes, estão as sepulturas de seu neto D. Cosme de Sousa e do pai deste D. João de Sousa.”
“Por sua morte, D. João III, por alvará régio de 9 de Setembro de 1527, deu fôro de nobreza e carta de brasão a seu sobrinho Pêro Pinto em quem honrava os feitos marítimos de seu tio, João Álvares Fagundes.”
“Fagundes teve uma parte na exploração da costa da América Britânica muito maior do que até aqui tem sido admitido ou apreciado,…” (Fonte: Câmara Municipal de Viana do Castelo)

GIGANTE DO VALE DO LIMA – O DESCOBRIDOR: JOÃO ÁLVARES FAGUNDES 

Vianense que ficou conhecido como um dos primeiros exploradores da Terra Nova, no Atlântico Norte. Pertencente a uma família de proprietários fundiários, com destacados membros da hierarquia eclesiástica da região, J. A. Fagundes era de condição nobre e foi cavaleiro da Casa Real e vereador municipal em Viana do Castelo. Em data imprecisa, mas antes de 1521, realizou uma viagem ao Atlântico Norte que lhe valeu carta régia de D. Manuel, datada de 13 de Março de 1521, concedendo-lhe a capitania das terras que «à sua própria custa e despesa» descobrira: «a terra que se diz ser de terra firme que é desde a demarcação de Castela (…) até vir partir com a terra que os Cortes Reais descobriram», «as três ilhas na baía da Aguada», «as ilhas a que ele pôs nome Fagundas (…) S. João, S. Pedro, Santa Ana e Santo António», as ilhas dos arquipélagos de S. Pantalão (com a ilha de Petigoem) e das Onze Mil Virgens, e ainda a ilha de Santa Cruz e uma outra também designada Santa Ana «que foi vista e não apadroada». Os vários estudos feitos para reconstituir o itinerário seguido por J. A. Fagundes, baseados em dados cartográficos e na relação entre o calendário litúrgico e a toponímia das ilhas e grupos insulares referidos na carta régia, apontam para que ele tenha explorado o sul da costa da Terra Nova e toda a área do golfo de S. Lourenço. Unanimemente se reconhece que esta viagem assegurou a Portugal os direitos sobre importante zona de pesca do bacalhau.

Pensa-se que J. A. Fagundes não voltou às terras de que era capitão; no entanto, é bem provável que, com sua autorização, segunda expedição tenha partido de Viana. Nesse sentido aponta o testemunho de Francisco de Sousa, um seu descendente, autor do Tratado da Ilhas Novas, escrito em 1570: «Haverá 45 anos ou 50 que, de Viana, se ajuntaram certos homens fidalgos e, pela informação que tiveram da Terra Nova do Bacalhau, se determinaram a ir povoar alguma parte dela, como de facto foram em uma nau e uma caravela, e, por acharem a terra muito fria donde iam determinados, correram para a costa Leste Oeste até darem na de Nordeste Sudoeste e aí habitaram (…) e isto é no cabo Britão, logo na entrada da costa, que corre ao Norte em uma formosa baía, donde tem grande povoação e há na terra cousas de muito preço». A povoação em causa situar-se-ia, segundo alguns investigadores, na baía de Fundy e, segundo outros, na ilha de Cape Breton. (Fonte: Maria Augusta Lima da Cruz)

 

Segundo Manuel Jose da Costa de Felgueiras Gaio, João Álvares Fagundes teria se casado com Maria Gonçalves Maciel, com teria tido uma única filha, Catarina Fagundes, nascida em 1510.

Segundo Pedro Magalhães Abreu Coutinho, João Álvares Fagundes teria se casado com Leonor Dias Boto, com teria tido uma única filha, Catarina Fagundes.

Segundo Manuel Jose da Costa de Felgueiras Gaio, Catarina Fagundes teria se casado com Manuel Vicente Paris e teriam tido 3 filhos, entre eles Afonso Gonçalves Fagundes.

Segundo Pedro Magalhães Abreu Coutinho, Catarina Fagundes teria se casado com Gonçalo Afonso Cerqueira e teriam tido 3 filhos, entre eles Afonso Gonçalves Fagundes.

Segundo Manuel Jose da Costa de Felgueiras Gaio, Afonso Gonçalves Fagundes teria se casado com Maria Quezado Peixoto e teriam tido uma filha, Gracia Vaz Fagundes.

Segundo Pedro Magalhães Abreu Coutinho, Afonso Gonçalves Fagundes teria se casado com Maria Casado e teriam tido uma filha, Gracia Vaz Fagundes.

 

Segundo texto publicado no Recanto das Letras, em 02/12/2008, sob o título “FAGUNDES – Histórico familiar, semântico e lingüístico”, João Álvares Fagundes teria se casado duas vezes, a primeira com D. Maria Gonçalves Maciel e a segunda com D. Leonor Dias Boto.

Do primeiro casamento teriam tido um único filho: Álvaro Gonçalves Fagundes.

Do segundo casamento teriam nascido:

Violante Álvares Fagundes, casada com João de Sousa de Magalhães, fidalgo da Casa Real.

Catarina Fagundes, “a Fagunda”, casada com Gonçalo Afonso Cerqueira.

Gracia Vaz Fagundes se casou com Francisco Fernandes Varela e tiveram Sebastião Fagundes Varela.

 

Sebastião Fagundes Varela se casou com Maria de Amorim Soares, nascida em 15/05/1592, no Rio de Janeiro, falecida em 1676, aos 83 anos. O casamento aconteceu no Rio de Janeiro, em 1608/1613.

Desta união nasceram, pelo menos, quatro filhos:

  1. Petronilha Fagundes (1614)
  2. Diogo Fagundes (1616)
  3. Antônio Fagundes Varela (1618)
  4. (?) (1624)

A primogênita Petronilha Fagundes (1614-1668) casou-se, em 1635, aos 21 anos, com o Capitão João Fagundes Paris (1605-1662), de Viana do Castelo, Portugal, tendo deste casamento nascido 7 filhos:

  1. Sebastião Pedro Fagundes Varela (1637)
  2. Isabel Fagundes (1639) casou-se, em 1663, aos 24 anos com Manuel Teles Barreto e tiveram sete filhos: 2.1. Antônia Teles Barreto;  2.2.Antônio Teles Barreto; 2.3. Feliciana Teles Barreto; 2.4. Francisco Teles Barreto; 2.5. João Fagundes; 2.6. Maria Teles Barreto; 2.7. Petronilha Fagundes.
  3. Maria de Mello (de Amorim) (1642-1696) se casou em 23/01/1667, na ermida de Nossa Senhora da Cabeça do Engenho da Lagoa, com João Manuel de Melo. Tiveram filhos: 3.1. Anna Alfradique de Souza (de Menezes); 3.2. Feliciana Muniz de Albuquerque (de Menezes); 3.3. João Manuel; 3.4. Petronilha Fagundes.
  4. Antônio Fagundes (1645), batizado em 24/07/1645 na Capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição do Engenho da Lagoa.
  5. Manuel Vicente Paris (1648-1662)
  6. Diogo de Amorim Fagundes (1650-1708)
  7. Pedro Álvares Fagundes (1652-1712)

A filha de Isabel Fagundes, Petronilha Fagundes (1671-1717), bisneta e herdeira de Sebastião Fagundes Varela, se casou em 03/07/1702, com o jovem oficial de cavalaria português Capitão Rodrigo de Freitas Castro de Carvalho, na Igreja de Nossa Senhora do Rosário do Engenho da Lagoa, de onde tem origem o nome da Lagoa Rodrigo de Freitas, anteriormente, Lagoa de Manoel Teles e, antes ainda, Lagoa dos Fagundes.

Petronilha Fagundes, descendente de Diogo Amorim Soares, tornou-se a última representante dessa família na posse das terras e Engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, adquiridos, por compra, por seu marido, o Capitão Rodrigo de Freitas, passando o engenho a ser conhecido como Engenho de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa de Rodrigo de Freitas, que agregou outras terras ao engenho.

Contudo, os anos 1710 não foram fáceis para o Capitão Rodrigo de Freitas. Em 1711, com a segunda invasão francesa ao Rio de Janeiro, os homens de posses foram chamados pela Coroa portuguesa a ajudar a pagar o resgate exigido pelos invasores para que a cidade não fosse bombardeada. Em 1717, morreu sua mulher, Petronilha Fagundes.

Falido e viúvo, Rodrigo de Freitas decidiu deixar o Rio e voltar a Portugal, para sua Quinta de Suariba, com o único filho e herdeiro, João de Freitas e Castro (1704), deixando arrendadas as terras do engenho. Outros três filhos do casal morreram ainda muito pequenos.

O Capitão Rodrigo de Freitas Castro era nascido em São Martinho Penacova, comarca de Guimarães, arcebispado de Braga e faleceu em 1748.

João de Freitas e Castro casou-se com Leonor Maria de Melo Pereira de Sampaio e tiveram um único filho: Rodrigo Antônio de Freitas Castro e Melo

Das terras do Capitão saíram os bairros de Ipanema, Jardim Botânico, Horto, Gávea, Leblon, Lagoa, Copacabana e Fonte da Saudade. A história deles é contada no livro A Fazenda Nacional da Lagoa Rodrigo de Freitas, dos historiadores Carlos Eduardo Barata e Claudia Braga Gaspar (Editora Cassará), uma de nossas fontes de pesquisa.

Em 04/06/1725, outra  Maria de Amorim, irmã de Petronilha Fagundes, casou-se na Capela de Nossa Senhora da Conceição do Engenho da Lagoa, com o Capitão Antônio do Rego de Brito.

Petronilha Fagundes, viúva de João Fagundes Paris, deixou para os filhos Manoel Teles Barreto e o Padre Sebastião Fagundes, o Engenho de Nossa Senhora do Rosário e da Encarnação da Lagoa.

Fontes:

> Rio de Janeiro em seus Quatrocentos Anos – Formação e desenvolvimento da cidade (dois exemplares) – Distribuidora Record – Rio de Janeiro – S. Paulo – 1965

um exemplar autografado pelo idealizador Engº Fernando Nascimento Silva, em 13/12/1965, ao Silveirinha

um segundo exemplar autografado pelo idealizador Engº Fernando Nascimento Silva em 17/01/1967 ao Sr. Américo Lacombe

> 4 Séculos do Rio de Janeiro – Exposição Comemorativa do IV Centenário da Fundação da Cidade do Rio de Janeiro – 1565 – 1965 – Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro – Ministério da Educação e Cultura – 1965

> Agenda Comemorativa do IV Centenário da Fundação da Cidade do Rio de Janeiro – 1565 – 1965 – Homenagem da Women’s Auxiliary do Stranger’s Hospital

> Conquistadores e Povoadores do Rio de Janeiro – Coleção Vieira Fazenda I – Elysio de Oliveira Belchior – Livraria Brasiliana Editôra – Rio de Janeiro – 1965

> Algo do Meu Velho Rio – Coleção Vieira Fazenda VIII – Augusto Maurício – Livraria Editôra Brasiliana – Rio – 1966

> Primeiras Famílias do Rio de Janeiro (séculos XVI e XVII) – Tomo III – Fascículos 1º (N – O); 2º (P – Rab); 3º (Ram – Sim); 4º (Siq – V) – Carlos G. Rheingantz – Colégio Brasileiro de Genealogia – 1993 e 1995

> Revista O Cruzeiro – Edição Comemorativa do IV Centenário – Rio – Novembro – 1965

> A Fazenda Nacional da Lagoa Rodrigo de Freitas na formação de Jardim Botânico, Horto, Gávea, Leblon, Ipanema, Lagoa e Fonte da Saudade – Carlos Eduardo Barata & Claudia Braga Gaspar  – Biblioteca Rio 450 – Rio de Janeiro – Cassará – 2015

 

continua …