“A fome só se satisfaz com a comida 

 e a fome de imortalidade da alma

com a própria imortalidade.

Ambas são verdadeiros instintos.”

Fernando Pessoa

Domingos de Lima, morador da Quinta da Valada, em São Salvador de Bertiandos, Vila de Ponte de Lima, Distrito de Viana do Castelo, Portugal

& Maria Casado de Brito 

  • Damião Casado de Lima

Martinho Teixeira Cabral

& Petronilha de Britto 

  • Anna Maria da Conceição

Damião Casado de Lima, nascido na Freguesia de Bertiandos, Vila de Ponte de Lima, Distrito de Viana do Castelo, Portugal, viveu na Quinta da Valada e veio para o Brasil com seu irmão Francisco. Foi proprietário dos Engenhos Boa Vista e Cucau, em Serinhaem, Pernambuco.

& Anna Maria da Conceição

  • Antônio Casado de Lima

Manoel de Araújo Bezerra 

& Anna de Nazareth Cavalcanti, descendente direta de Filipe, o florentino, que veio para Pernambuco atraído pela riqueza do açúcar e não como exilado.

  • Margarida Bezerra Cavalcanti

Antônio Casado Lima, Sargento-Mor do Forte de Pau de Gamela, Capitão-Mor de Serinhaém, dono do Engenho de Palma desde 1760, escritura no arquivo de Olinda.

& Margarida Bezerra Cavalcanti

  • Capitão Manoel de Araújo Lima

Pedro Teixeira Lima Cavalcanti

& Luiza dos Prazeres Cavalcanti de Albuquerque

  • Anna Teixeira Cavalcanti

Manoel de Araújo Lima, nascido em 14/06/1751, Capitão Comandante do Distrito de Serinhaem, dono do Engenho de Burarema a partir de 1771, escritura no arquivo de Olinda; em 06/12/1782 comprou o Engenho Antas, então jurisdição de Serinhaem, mais tarde da Gameleira.

& Anna Teixeira Cavalcanti, nascida em 17/08/1763, casaram-se em 29/11/1780 e tiveram 8 filhos:

  • Maria dos Anjos da Porciúncula Cavalcanti, nascida em 02/08/1782
  • Pedro, nascido em 09/09/1784, morreu ainda criança
  • Rita Florência de Lima, nascida em 23/11/1785
  • uma menina, nascida em 06/02/1789, morreu sem batismo
  • Francisco, nascido em 09/01/1791, morreu ainda criança
  • Margarida, nascida em 22/08/1792, morreu ainda criança
  • Pedro de Araújo Lima, nascido em 22/12/1793, no Engenho de Antas, Município de Serinhaem, Pernambuco, conhecido como Engenho de Dona Ana das Antas, casou-se em 05/06/1828.
  • uma menina, nascida em 09/10/1795, morreu sem batismo                                                                                                                                                                                                                                                                                                “Por largo tempo conhecido como Engenho de Dona Ana das Antas, que nele morou toda a vida, autêntica Sinhá Dona, dessas ‘diligentes e esmeradas de que nossos romancistas de costumes nunca souberam tirar todo o partido’. (escrevia O. Lima, memórias) Sua vasa térrea, típica da época e sem pretensão, domina de um pequeno outeiro as demais construções do engenho pelas duas faces de sua varanda em colunata.” (O Marquês de Olinda, Joaquim de Souza Leão, Recife – 1971)

Jose Bernardo de Figueiredo, Desembargador, Conselheiro e Presidente do Supremo Tribunal de Justiça, abastado por haver herdado, pela mulher, do português José Luís da Mota, vastíssima chácara em Botafogo, entre o atual colégio da Imaculada Conceição e a rua de São Clemente, onde abriu por volta de 1852 a Travessa Figueiredo, homenagem ao filho, atual Marechal Niemeyer; Rua Viscondessa, homenagem a filha, atual Assunção; Rua de Olinda, homenagem ao genro, atual Marquês de Olinda; Rua Bambina, homenagem à neta.

& Luiza Alexandrina Preciosa da Mota

  • Luiza Bernarda de Figueiredo, nascida em 30/05/1808, falecida em 13/11/1873, no Rio de Janeiro, filha única do desembargador José Bernardo de Figueiredo (1769-1854), depois conselheiro e presidente do Supremo Tribunal de Justiça.

Pedro de Araújo Lima, nasceu no Engenho Antas, município de Serinhaém, no sul de Pernambuco, a 22/12/1793. Trazia nas veias, de resto, o sangue orgulhoso de muitas gerações de senhorio rural. A carta de brazão, que lhe foi passada em 1828, esquartelava corretamente os molhos de trigo dos Casado, as palas vermelhas dos Lima, os quadrifolios Cavalcanti e a aspa carregada de besantes dos Araújos; timbre, três molhos de trigo.

& Luiza Bernarda de Figueiredo* 

  • Luiza Bambina de Araújo Lima, nascida em 01/04/1829 e falecida em 07/07/1896, aos 67 anos, no Rio de Janeiro
  • Pedro de Araújo Lima, nascido em 17/12/1838 e falecido em 25/04/1852, aos 13 anos, de febre amarela. Foram seus padrinhos de batismo o Imperador D. Pedro II e D. Januária, no Paço.
  • Jose Bernardo Filho, temporão, nascido em 1830, morrendo-lhe a mãe no parto, cunhado criado pelo casal, seguiu o curso jurídico no Recife.

Pedro de Araújo Lima matriculou-se em Coimbra, Faculdade de Direito, em 29/10/1813, formando-se em 29/05/1818 e doutorando-se em Cânones em 01/08/1819.

Grande vulto político do 1º e 2º Impérios.

Deputado por Pernambuco as Cortes Portuguesas em 1821-1822 e na Assembleia Constituinte de 1823.

Ministro de Estado na pasta do Império do 3º Gabinete de 1823.

Representante de sua província nas 1ª, 2ª e 3ª legislaturas da Assembleia Geral de 1826 a 1837.

Ministro de Estado na pasta do Império do 7º Gabinete de 1827.

Ministro de Estado da Justiça e interinamente dos Estrangeiros no 2º Gabinete de 1837.

Senador pela Província de Pernambuco em 1837.

Regente do Império de 18/09/1837 a 22/07/1840.

Conselheiro de Estado em 1842.

Presidente do Conselho dos Ministros varias vezes.

Ministro em quase todas as pastas até 1865.

Diretor da Academia de Direito de Olinda.

Visconde com honras de grandeza de Olinda, por Decreto de 18/07/1841.

Marques de Olinda, por Decreto de 02/12/1854.

Grande do Império.

Oficial da Imperial Ordem da Rosa.

Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro.

Grã-Cruz da Imperial Ordem de Cristo,

da de Santo Estevão, da Hungria,

da Legião de Honra, da França,

da de Nossa Senhora de Guadalupe, do México,

da de São Maurício e São Lazaro, de Sardenha,

da de Medjidie, da Turquia e

Fidalgo Cavaleiro da Casa Imperial.

Brasão de Armas registrado no Cartório da Nobreza, Livro VI, folhas 2.

“Do mesmo modo, o marquês de Olinda, ao varar 50 anos, do 1º ao 2º reinado, chefe de Estado na Regência, quatro vezes presidente do Conselho, oito, ministro de quase todas as pastas, Conselheiro de Estado e Grande do Império, teve uma atuação excepcional em seu tempo, não menos marcante para a história do país que a de um José Bonifácio ou Paraná, de um Paranhos, Caxias ou Nabuco. Na verdade, nesse meio século, ele fez e viu fazer história. Sua primeira nomeação é de 1820. Em 70 ainda frequentava o Senado.” (O Marquês de Olinda, Joaquim de Souza Leão, Recife – 1971)

Eis como o define Martinho de Campos:”nobre figura a do marquês, acima dos partidos, que se pode quase dizer … um rei constitucional”.

Falecido em 07/06/1870,  às 4 da madrugada, aos 76 anos, de uma congestão cerebral, na Rua do Lavradio, 53-B, no Rio de Janeiro, foi enterrado no Catumbi. Renderam-lhe homenagens quase de chefe de Estado: coche imperial, tochas acesas, tropa na rua. Numerosíssimo foi o séquito que o acompanhou. “Era tal a confusão do povo e carros, que a tropa não podia se mover, registrou o Jornal do Comércio de 09/06/1870.

“Não teve a inteligência plástica de Nabuco de Araújo, nem a palavra vitriólica de Zacarias. Por isso é o mais esquecido dos políticos imperiais”, sumarizou Cascudo.

Texto extraído do Jornal A Noite, Domingo, 29 de setembro de 1940: “A cidade ganhou suntuoso cinema – O cinema é o Olinda. O seu próprio nome representa uma homenagem à nossa gente, à ilustre varão a história pátria, levantado que está esse edifício em terras de tradições centenárias. Por que Olinda? Pertenceram a Pedro de Araujo Lima, Marquês de Olinda, os terrenos em que se levantou o edifício majestoso. Inesquecível político e estadista, do primeiro e do segundo impérios, doutor em Cânones pela Universidade de Coimbra, ouvidor da comarca de Paracatu, em Minas Gerais, deputado às Constituintes de Lisboa, deputado na Câmara brasileira da Côrte, em 1823, presidente do Ministério de Pedro I, seu ministro da Justiça e Estrangeiros, senador, depois, e regente interino do país, batalhador emérito e vitorioso nos entendimentos da campanha da maior idade de Pedro II, pacificador na Baia, Maranhão, Santa Catarina, Rio Grande do Sul; mais tarde, ministro também no segundo império, muitas vezes condecorado, sócio fundador do Instituo Histórico Geográfico, orador notável, foi o Marquês de Olinda político e estadista de tempera de aço forjada nos embates mais árduos de patriota extremado. E foi ali, sobre aquele punhado de terra onde se firmaram os alicerces do Olinda, que muitas vezes se decidiram os destinos políticos do Brasil. O cinema Olinda é na Tijuca, na Praça Saenz Peña, antes de mais nada e acima de tudo, um marco de gloriosas recordações. Só esse fato justificaria mais do que o próprio presente feito ao carioca de um cinema monumental, erguido num dos seus mais lindos bairros, a reportagem que hoje, a propósito, traçamos nesta página. E, apesar dos delicados sentimentos de modéstia, simplicidade, bem brasileiros do seu idealizador, avesso aos rumores da popularidade, o Sr. Vital Ramos de Castro, que tem o seu nome ligado já a outras empresas construtivas da beleza urbana da nossa cidade, como o Plaza, o Primor, o Parisiense e outros cinemas de sua propriedade, não será possível que, falando da obra, esqueçamos o seu realizador.”

Ela, Luiza Bernarda de Figueiredo, falecida em 13/11/1873, aos 65 anos, na Rua São Cristóvão, 105, no Rio de Janeiro.

Curiosidade: *O véu de rendas usado por D. Luiza Bernarda de Figueiredo em seu casamento voltou a ser usado por sua filha, Luiza Bambina, ao se casar com o Visconde de Piracinunga. Em seguida, por Maria Bebiana de Araújo Lima, filha dos Viscondes, ao se casar com o Barão do Rio Preto; depois por Julieta de Araújo Lima Guimarães, filha dos Barões, quando se tornou esposa de Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, assim como suas filhas e netas, dentre elas, Julieta de Andrada Tostes no seu casamento com Guido de Almeida Magalhães, em 30/03/1969, na Igreja de Nossa Senhora da Gloria do Outeiro. O Marques de Olinda fez vir as rendas de Bruxelas, como presente para Luiza.

Texto do jornal de 30/03/1963, em Bric-à-Brac, “… O véu de rendas com que a noiva Julieta de Andrada Tostes – cujo casamento com o Sr. Guido de Almeida Magalhães se realizou no sábado último, na Igreja de N. Sª da Glória do Outeiro – completou o seu vestido nupcial, dando-lhe um ar de aristocracia antiga, foi pela primeira vez usado por D. Luísa de Figueiredo, ao casar-se por volta de 1830, com Pedro de Araújo Lima, Marquês de Olinda, que fêz vir as rendas de Bruxelas, como presente para a noiva. Usou-o depois uma filha desse casal, D. Luisa Bambina, ao casar-se com o Visconde de Pirassinunga; em seguida, Maria Bebiana de Araújo Lima, filha dos viscondes, ao casar-se com o Barão do Rio Preto; depois Julieta de Araújo Lima Guimarães, filha dos barões, quando se tornou esposa de Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, um dos grandes artífices da Revolução de 30 e avô da noiva de sábado último na Glória do Outeiro. Filhas e outras netas de Antônio Carlos, o segundo do nome, já haviam também usado o véu, que, através de mais de 130 anos, nunca deixou de fazer o encanto das mocinhas das Minas Gerais, da Côrte Imperial e da antiga capital, como ainda agora, em plena era atômica, fizeram o encanto das convidadas de Julieta na hoje simplesmente Guanabara …”

Em 04/05/2001, a Coluna da Hidelgard Angel noticiava que a Princesa Maria Pia usaria em seu casamento este véu, restaurado na França, com o brasão de armas dos Marqueses de Olinda, para cuja filha foi confeccionado na Bélgica. Nessa ocasião, tentei obter uma fotografia do referido véu, mas, lamentavelmente, meus e-mail’s não tiveram retorno.

E os céus conspiraram a favor dos aqui lembrados e para minha surpresa e felicidade recebi em 06/05/2013, a seguinte mensagem através do site:

"Um novo comentário sobre o post "DESCENDÊNCIA DO MARQUES DE OLINDA - 2ª parte" está esperando sua aprovação.
Autora: Claudia de Andrada Tostes Vinhaes Grosso
Comentário:Estava procurando uma foto da Luiza (Bambina) e com um imenso prazer me deparei com o seu site. Como descendente de Fagundes Varella e do Marquês de Olinda, gostaria de te ajudar a completar a descendência e com algumas correções. Quanto à mantilha, posso tb te enviar uma foto , pois nós todas casamos com ela. Parabéns pelo site. Claudia"

Por incrível que pareça ainda não nos encontramos, nem encontrei a mãe da Cláudia, Srª Terezinha, embora tenhamos nos falado por telefone em 21/08/2013. 
A Srª Terezinha conviveu com a Baronesa do Rio Preto, bisavó dela e tem muitas informações para me dar. Até hoje mantenho contato com a Claudia de Andrada Tostes Vinhaes Grosso e, em algum momento, vamos realizar este encontro, com toda certeza.

Curiosidade: nomes dados por Jose Bernardo de Figueiredo às ruas por ele abertas em 1852, em Botafogo:

Travessa Figueiredo (filho), passou a Marechal Niemeyer

Rua Viscondessa (filha), passou a Rua Assunção

Rua de Olinda (genro), passou a Rua Marques de Olinda

Rua Bambina (neta)

Comendador Henrique Jose de Araújo

& Maria Bibiana (Bebiana) de Araújo

  • Comendador Joaquim Henrique de Araújo, nascido em 13/06/1821 e falecido em 14/10/1883, aos 62 anos, Barão de Piracinunga por Decreto de 06/12/1858 e Visconde de Piracinunga com grandeza por Decreto de 11/10/1876. Irmão de diversas ordens e irmandades: Oficial da Imperial Ordem da Rosa, Comendador da Imperial Ordem de Cristo, Ordem de São Silvestre, Carmo, São Francisco de Paula, Santo Bom Jesus, São Gonçalo, Sacramento, Dores, etc.                                                                                                                                   Brazão de Armas: Escudo esquartelado; no primeiro, em campo de góles, uma oliveira verde com raízes, perfis e frutos de outo com um galgo passante de sua cor; no segundo, de azul, cinco vieiras de prato, em santor; no terceiro de vermelho, seis besantes de ouro entre um dobre cruz e bordadura do mesmo metal; no quarto, de prata, uma aspa de azul carregada de cinco besantes de ouro. Corôa: a de Visconde.                                           Observação: ortografia original Piracinunga, ortografia atualizada Pirassununga
  • Comendador Henrique Jose de Araújo
  1. Henrique Jose de Araújo (Júnior ou Netto)
  2. Antonio Henrique de Araújo
  3. Jose Caetano de Araújo
  4. Maria Henriqueta de Araújo
  • Comendador Jose Henrique de Araújo
  • João Miranda de Araújo, casado com Maria do Carmo Margarinos, filha do Embaixador Margarinos
  • Antonio de Araujo Braga
  • Maria Jose de Araújo (Mariquinhas), casada com José Pedro da Motta Sayão, Barão com grandeza do Pilar, Oficial da Imperial Ordem do Cruzeiro, Comendador da Imperial Ordem de Cristo, Grande Dignatário da Imperial Ordem da Rosa e Comendador da Real Ordem de Cristo de Portugal, Grande do Império. Ela falecida em 17/06/1917, aos 91 anos, sepultada no Cemitério da Ordem 3ª de São Francisco de Paula, carneiro onde jazem os restos de seu marido.
  1. Jose Pedro de Araujo Motta Sayão
  2. Maria Justina de Araujo Motta Sayão
  3. Maria Joana de Araujo Motta Sayão, Condessa de Monthial, casada com o Conde de Monthial

Joaquim Henrique de Araújo

& Luiza Bambina de Lima Araújo*

Casaram-se em 02/12/1843, na Igreja São José, no Centro do Rio de Janeiro. Por seu casamento na família Araújo, Luiza se tornou, em 1876, Viscondessa com honras de grandeza de Piracinunga e matriarca da família Olinda. Em sua homenagem existe a Rua Bambina.

  • Joaquim Henrique de Araujo (Olinda), casado com Laura Faro de Araújo, tiveram: 

           1. Laura Faro de Araújo, nascida em 20/10/1878, no Rio de Janeiro e falecida em 08/02/1896, aos 18 anos, solteira, sem descendência.

       2. Luiza Faro de Araújo Koennig, nascida em 03/10/1879, no Rio de Janeiro e falecida em 22/05/1929, aos 50 anos, casada em 1900, em Paris, na França, com o médico Dr. Charles Josephi Koennig.

           3. Joaquim, nascido em 1882.

           4. Maria Georgina, nascida em 1883.

  • Luiza de Araújo Souto, nascida em 26/10/1845, no Rio de Janeiro e falecida em 29/08/1894, casou-se em 22/12/1862, no Rio de Janeiro, com José Antônio Alves Souto, filho de Antônio José Alves Souto, Visconde de Souto. Tiveram duas filhas: 

            1. José de Araujo Souto, nascido em 1863.

           2. Luiza de Araújo Souto Lima, nascida em 1864, no Rio de Janeiro, falecida em 30/01/1918, aos 54 anos, casou-se em 10/02/1883,  no Rio de Janeiro, com Constâncio Pereira Lima, filho de Gabriel Jose Pereira Lima e Maria Jose  Pereira Lima.

           3. Judith de Araujo/Alves Souto, nascida em 16/10/1865, no Rio de Janeiro, casada em 26/10/1895, no Rio de Janeiro, com  Manoel Gouveia Jardim, filho de Manoel Gouveia Jardim e Leocádia Eugenia.

            4. Luiz de Araujo Souto, nascido em 1869.

            5. Henrique de Araújo Souto, nascido em 1878.

            6. Alberto de Araújo Souto, nascido em 1879.

            7. Eduardo de Araújo Souto, nascido em 1880.

  • Maria Bibiana de Araújo Guimarães*, nascida em 18/01/1847, no Rio de Janeiro, falecida em 23/10/1940, aos 93 anos, na residência de seu genro, Sr. Antonio Carlos, enterrada no Cemitério São João Batista. Casou-se em 02/05/1868, no Rio de Janeiro, com Domingos Custódio Guimarães Filho, agraciado com o baronato em 06/12/1854 e com o viscondado e com a grandeza em 14/03/1867, 2º Barão do Rio Preto, Tenente-Coronel da Guarda Nacional. Ela, uma das amigas mais íntimas da Princesa Isabel.                                                                                                                                                                                                                                      Prato de porcelana francesa, “Chateau de Pillivuyt”, do serviço de sobremesa do Visconde do Rio Preto (Domingos Custódio Guimarães). Borda inteiramente em malva entre frisos dourados e extremidade dourada denteada, em reserva realçada de dourado, monograma entrelaçado sob coroa de barão. Ao centro, frutos em policromia. Pasta dura. Séc. XIX. 23 cm. Peça do mesmo serviço reproduzida à pág. 315 do Livro “Louça da Aristocracia do Brasil”, por Jenny Dreyfus. Lote 74, Leilão 16019, Began Antiguidades & Marise Domingues Arte & Leilão, em 24/08/2020, arrematado por R$ 2.600,00.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              Taça em cristal da Bohemia do serviço do Visconde do Rio Preto (Domingos Custódio Guimarães), com overlay de tonalidade ambar, decorado com cervos em meio a um bosque. Exemplar desse serviço esta reproduzido no livro ‘O Cristal no Império do Brasil’, de Jorge Getúlio Veiga. Existem também exemplares na coleção do Museu Imperial de Petrópolis. Século XIX, 12 cm de altura. Lote 221, Leilão 15978, D’Argent Leilões Arte & Antiguidades, em 25/08/2020, arrematada por R$ 1.000,00.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        Domingos Custódio Guimarães, filho de Pedro Custódio Guimarães e de Teresa Maria de Jesus, nascido em São João Del Rei, em 1802, falecido em Valença, em 1868, 1º Barão e Visconde com grandeza do Rio Preto, político e fazendeiro de café brasileiro, casou-se com Faustina Xavier Pestana, depois com Maria das Dores de Carvalho, pai de Domingos Custódio Guimarães Filho. Sua fortuna teve origem na década de 1820, quando em sociedade com José Francisco de Mesquita fundou a Companhia Mesquita & Guimarães, especializada no abastecimento de carne para a corte imperial e na venda de escravos serra acima. Na década seguinte, investiu o lucro na compra de terras e no plantio de café na região do Vale do Rio Preto. Suas atividades se centravam na Sesmaria das Flores, adquirida em 1843, onde levantou a sede da ‘Flores do Paraíso’, conhecida como a ‘jóia de Valença’, notabilizada por inovações técnicas como iluminação a gás, terreiros asfaltados e mecanização. A fazenda foi pintada pelo italiano Nicolau Facchinetti.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                  Domingos Custódio Guimarães Filho & Maria Bibiana de Araújo Guimarães tiveram: 

           1. Domingos Custódio Guimarães, nascido em 1869.

           2. Arthur de Araújo Guimarães, nascido em 1870.

           3. Pedro de Araújo Lima Guimarães, nascido em 1871.

          4. Carlos Alberto de Araújo Guimarães, nascido em 1873.                                                                                                                     

No decorrer dessas pesquisas, vários encontros que me foram proporcionados, um deles foi com Maria Regina Guimarães Vismara, em 28/04/2017, na ocasião com 72 anos, carioca, residente em Florianópolis, neta de Carlos Alberto de Araújo Guimarães & Maria Madalena de Araújo Guimarães. Uma enorme alegria !!!

           5. Maria, nascida em 1874

       6. Julieta Guimarães Ribeiro de Andrada*, nascida em 04/04/1876, no Rio de Janeiro, casada com Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, bisneto de José Bonifácio, Presidente do Estado de Minas Gerais, compromisso prestado em 09/10/1926, conforme fotos do fato às folhas 34 da Revista Careta da Assembléia Nacional Constituinte e da Câmara dos Deputados. O nome da Avenida Presidente Antônio  Carlos é uma homenagem a ele. Julieta faleceu em 04/01/1938, no Sanatório de Belo Horizonte, tendo  sido enterrada no Cemitério São João Batista.

Texto do Jornal de 5 de janeiro de 1938, acima, que anunciou o falecimento da Srª Antonio Carlos como infausta notícia: “Com o fallecimento da Srª Julieta Guimarães Ribeiro de Andrada, esposa do Sr. Antonio Carlos, desapparece uma figura representativa da aristocracia feminina do paiz. Aquella dama, que se distinguia pela fineza de personalidade social, peregrina bondade e pela modéstia característica da mulher brasileira, estava ligada por vínculos de sangue a algumas das mais distinctas familias da nossa ala sociedade – familias assignaladas pelos privilegios de nobreza e detentoras de uma tradição social e política de primeira grandeza, realçando entre ellas os marquezes de Olinda, os barões do Rio Preto e os viscondes de Pirassinunga. Educada nos principios classicos de uma geração brilhante, afortunada, ciosa de suas prerrogativas moraes, a extincta accrescia a esses primores de conducta os dons de um coração magnanimo e o encanto de uma individualidade humana e social perfeitas. O passamento de D. Julieta Guimarães Ribeiro de Andrada emocionará a sociedade brasileira, que ella por todos os títulos honrava.”

6.1 Ilka Ribeiro de Andrada

       6.1.1 Antonio Carlos 

       6.1.2 Vera Ribeiro de Andrada Tostes foi casada com Sergio Martins 

      6.1.3 Julieta de Andrada Tostes (Juju)*, casada com Guido de Almeida Magalhães, em 30/03/1969, na Igreja de Nossa Senhora da Glória do Outeiro.

     6.1.4 Terezinha (Tete)*, guardiã do véu de noiva, casada com Aloisio Macedo Vinhaes.                                                                                  6.1.4.1 Claudia de Andrada Tostes Vinhaes Grosso*                                                                                                                                              6.1.4.2 Cynthia Thereza Tostes Vinhaes Fidalgo*                                                                                                                                                                                                      6.1.5 Naizinho

6.2 Antonieta                                                                                                                                                                                                                               6.2.1 Silvia                                                                                                                                                                                                                                        6.2.1.1 Glória Maria*                                                                                                                                                                                                          6.2.1.2 Princesa Fátima* casada com o Príncipe Pedro de Orleans e Bragança                                                                                          6.2.1.3 Celina*                                                                                                                                                                                                           6.2.2 Magui

6.3 Luiza Muller

6.4 e ainda dois filhos homens, um deles Fábio Bonifácio Olinda de Andrada

      7. Marieta de Araújo Guimarães, após a morte do Barão do Rio Preto, os filhos dele tiveram por tutor dos órphaos, o cunhado Domingos Theodoro de Azevedo Júnior.

    Maria Bibiana de Araújo Lellis e Silva casou-se uma segunda vez, com Mário Lelis e Silva, filho de Camilo Lellis da Silva e Raquel Aurora de Andrada, teve uma filha:  

   8. Maria de Lourdes Araújo Lellis e Silva, nascida em 1884, no Rio de Janeiro, falecida em 13/10/1908, casou-se em 20/06/1907, em Petrópolis, com Bernardo Jose dos Santos Ferraz, filho de Bernardo Jose dos Santos Ferraz  e Umbelina Marques.

Texto do Jornal de 23 de outubro de 1940, acima, que anunciou o falecimento da Baronesa do Rio Preto, citada como uma das mais ilustres damas do 2º reinado. ” Com o falecimento da baronesa do Rio Preto, verificado ontem, nesta capital, na residência do seu genro o Sr. Antonio Carlos, desaparece uma das mais ilustres figuras do Império. Filha dos viscondes de Pirassununga e neta dos marqueses de Olinda, o que foi regente – a Srª Maria Bibianna de Araújo Neves contava a idade de 93 anos. Sua família manteve relações estreitas com Pedro II e a família imperial, sendo a baronesa do Rio Preto uma das amigas mais intimas da princesa Isabel. Viúva do barão do Rio Preto, que era filho do visconde do mesmo nome, a veneranda e ilustre senhora deixa prole numerosa, destacando-se entre os seus filhos os Srs. Domingos Custodio Guimarães, já falecido e que, em vida, fora chefe de Polícia do Estado do Rio; Arthur de Araújo Guimarães, já falecido; Pedro de Araujo Lima Guimarães, proprietário, nesta capital; Carlos Alberto Lima Guimarães, funcionário da Fazenda, aposentado; Julieta Guimarães Ribeiro de Andrade, esposa do Sr. Antonio Carlos, ex-presidente do Estado de Minas Gerais e ex-presidente da Assembléia Nacional Constituinte; Maria de Lourdes dos Santos Ferraz, esposa do Sr. Bernardo José dos Santos Ferraz, advogado, nesta capital. Dentre os netos da baronesa do Rio Preto, mencionaremos os seguintes: Dr. José Bonifácio Olinda de Andrade, professor da Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil; Dr. Fabio Bonifácio Olinda de Andrade, 5º Procurador da República; Jayme Guimarães, funcionário do Ministério da Educação; Sr. Alberto de Lima Guimarães, secretário da Comissão Brasileira na ‘Feira Mundial de Nova York’; a esposa do Sr. Francisco de Salles Baptista de Oliveira, diretor do Banco de Crédito Geral do Estado de Minas Gerais; a esposa do Dr. Antonio Teixeira de Sá Forte, médico; a esposa do Sr. Apollinario Mascarenhas, industrial e a esposa do Sr. Layr Palleta de Resende Tostes, advogado, nesta capital. O enterramento da baronesa do Rio Preto se dará hoje as 16 horas, saindo o feretro da rua Voluntários da Patria n. 448 para o cemitério de São João Batista.”

>>>  Outros Netos do Comendador Henrique José de Araújo, conforme anotações de Irene Santos Souto:

  1. Alberto de Araújo Souto, casado com Perpétua
  2. Arthur de Araújo Guimarães, nascido em 1871, casado com Anna Margarida Marques Leão da Cruz, filha de João Rodrigues Pereira da Cruz e Maria Balbina Marques Leão
  3. Carlos Alberto de Araújo Guimarães, nascido em 17/05/1873 no Rio de Janeiro, falecido em 14/11/1941, casado em 23/04/1900, em Petrópolis, com Maria Magdalena de Macedo, filha de Justino José de Macedo e Engracia Luiza da Mota (deu início a um ensaio biográfico do Marques, ‘A Regência Trina’)
  4. Domingos Custódio Guimarães, nascido em 1870, falecido em 04/06/1918, casado com Maria Augusta Vieira, filha de Manoel Vieira Machado, Barão de Alliança, Chefe de Polícia do Estado do Rio de Janeiro e Maria Peregrina Pinheiro
  5. Eduardo de Araújo Souto, casado com Georgina de Figueiredo
  6. Eurico Faro de Araújo Olinda, filho de Joaquim Henrique de Araújo Olinda e Luiza Clemente Faro, nascido em 1882 e falecido em 25/02/1928, solteiro, sem descendência. Luiza Clemente Faro, nascida em 29/02/1860 e falecida em 24/06/1927, filha de Antônio Pereira de Faro e Francisca Clemente Pinto.
  7. Henrique Jose Alves Souto
  8. Joaquim Henrique de Araújo Olinda, nascido em 26/12/1880, no Rio de Janeiro, falecido em 13/04/1920, casado com Laura Faro de Araújo
  9. Jose Antônio Alves Souto Junior, casado com Alice Santos
  10. Judith Souto Jardim, casada com Manoel de Gouvêa Jardim, sepultada em 18/05/1921, sepultura 81580 quadra 47 cova rasa.
  11. Luiza de Araújo Lima, casada com Constâncio Pereira Lima
  12. Luiz Gonzaga Alves Souto
  13. Maria de Araújo Guimarães
  14. Maria de Lourdes Ferraz
  15. Maria Georgina de Araújo(Olinda) Regis, nascida em 27/11/1883, no Rio de Janeiro, falecida em 1960, casada com o Embaixador do Brasil em Londres, Raul Luiz Francisco Regis de Oliveira, nascido em 10/10/1874, em Paris, na França, falecido em 10/07/1942, tiveram uma única filha Sylvia Regis de Oliveira, que se casou com Jean-Louis de Faucigny-Lucinge, Princesa de Faucigny-Lucinge, pais de Georgina Brandolini, casada numa família nobre de Veneza. Dona Gina, como era afetuosamente tratada, possuía como herança de família a pasta de couro do Regente, seu espadim e importante retrato de meio corpo de D. Pedro I por Simplício Rodrigues de Sá.                                                                                                                                                                                               curiosidade: Há um retrato de Sylvia Regis de Oliveira no livro de memórias de Carolina Nabuco, jogando tênis no Petrópolis Tênis  Clube, hoje Petropolitano, nos anos 30. Jorge Luis Borges cita-a como Princesa de Lucinge no conto ‘Tlon, Uqbar, Orbis Tertius’. 

    “Dona Gina, como afetuosamente era tratada, foi uma encantadora e lídima representante da aristocracia brasileira e bem merece que lhe associemos o nome a estas homenagens (1º centenário da morte do Marquês de Olinda), pois que soube honrar a estirpe Olinda. Possuia ela como herança de família a pasta de couro do Regente, seu espadim e o importante retrato de meio corpo, de D. Pedro I (apelidado o do tinteiro, que aparece em vez da coroa), por Simplício Rodrigues de Sá. Segundo a tradição, este retrato teria sido um presente de D. Pedro II ao marquês, mas o mais provável é que o tivesse Dona Gina de seu avô, o Visconde de Pirassununga, cuja louça também herdara. Possuia igualmente o serviço famille rose da Companhia das Índias, que foi do marquês e ela expunha com orgulho nas vitrines de honra de nossa embaixada. Herdou-o sua filha única, Sílvia, princesa de Faucigny-Lucinge, tão querida de todos os círculos que frequentou. Pude ainda admirar este serviço em seu elegante apartamento, do mais autêntico Empire, que olhava para a incomparável perspectiva da Etoile. Hoje pertence à tataraneta de Olinda, uma segunda Georgina, ornamento da jeunesse parisiense, cujo pai termos aqui como sucessor do atual embaixador da Ordem de Malta no Brasil.” (O Marquês de Olinda, Joaquim de Souza Leão, Recife – 1971)

  16. Pedro de Araújo Lima Guimarães, nascido em 1872 e falecido solteiro, sem descendência.

> Aqui será inserido um cartão, datado de 12/01/1939, de Antonio Carlos Ribeiro de Andrada, dirigido ao casal Irene Santos Souto e Henrique Grumbach, agradecendo o convite para o casamento de seu filho Joseph Grumbach com Marianna Moreira Ponce, antecipando felicitações e justificando sua ausência ao ato em virtude de sua partida para Minas Gerais.

O Visconde de Piracinunga faleceu em 14/10/1883, ao meio-dia, tendo sido sepultado no Cemitério de São Francisco de Paula, deixando testamento feito em 25/11/1881. A Viscondessa de Piracinunga faleceu em 07/07/1896, a 1 hora da madrugada, na sua residência à Rua Conde de Bonfim nº89, também deixando testamento.

Em seu testamento, de 25/11/1881, complementado pela sentença cível de formal de partilha extraída dos autos de inventário dos bens do finado Visconde de Piracinunga, de 05/11/1883, cujos originais foram transcritos por ‘Memorabilia – Paleografia e Diplomática’, o Visconde de Piracinunga deixou determinado que deveriam mandar rezar tantas missas pela alma dele quantas se pudessem celebrar durante os sete dias de seu falecimento e, ainda, mais 300 pela alma dele, cinco pela alma do pai e da mãe dele, cinco pela alma do sogro e da sogra, uma pelo filho Pedro, uma por seus parentes, uma pela mana Maria, uma pela alma do mano Henrique e uma pela alma do mano Antônio, uma pela alma da mana Francisca, duas pela alma de seus escravos e quatro pelas almas do purgatório.

Faziam monte os seguintes bens e valores das remanescentes da terça (montemor – integralidade dos bens do inventário ou espólio):

casas e terrenos = 471 contos 518 mil 270 réis

móveis = 649 mil réis

carros, animais e arreios = 750 mil réis

jóias avaliadas = 9 contos de réis

objetos de prata = 2 contos 265 mil 250 réis escravos = 6 contos 400 mil réis

em dinheiro em poder do inventariante 300 mil réis (pecúlio depositado pela escrava Ana para sua alforria) + 2 contos 62 mil 500 réis + 7 contos 850 mil 960 réis (cobranças e rendimentos) + 10 contos de réis (venda do terreno da Rua do Conde do Bonfim) + 65 contos 291 mil 844 réis (dívidas ativas)

Dívidas ativas:

  • José Antônio Alves Souto, letra de 23 contos + juros 1 conto 66 mil 136 réis
  • João de Miranda Araújo, 3 contos 887 mil 674 réis 
  • José Caetano de Araújo, letra de 4 contos 199 mil 285 réis
  • Luiz Felipe de Amaral e Souza, hipoteca 32 contos 536 mil 749 réis 

A abater do montemor:

  • terreno à Rua do Conde do Bonfim, cuja venda foi ajustada pelo preço de 5 contos 287 mil 500 réis ao Dr. Joaquim Antônio Fernandes de Oliveira
  • chalés 26 e 28 da Rua Bibiana, cuja venda foi tratada pelo preço de 2 contos e 500 mil réis à Sra. Eugênia Maria da Conceição
  • prédios 285, 287 e 289 da Rua do Itapiru, digo, do Hospício, cuja permuta foi ajustada pela fazenda do irmão Henrique José de Araújo, vendendo-a por 22 contos de réis
  • o escravo Bento, por ter falecido e cujo valor ficou estabelecido em 600 mil réis
  • a escrava Ana, por ter depositado pecúlio e requerido arbitramento para alforria, valor de 600 mil réis 

Despesas e dívidas passivas:

  • o espólio deve a Maria Justina da Motta Sarjão, por crédito, inclusive de juros, 1 conto 258 mil 330 réis
  • o espólio deve a Bernardo de Figueredo, por letras, inclusive juros, 96 contos 500 mil réis + 2 contos 120 mil réis por outra letra 
  • o espólio deve a Joaquim Henrique de Araújo 98 contos 500 mil réis Do valor líquido da Terça tira-se os seguintes encargos: missas nos sete dias da morte, testamento, oitenta mil réis + 323 missas 3 mil 969 réis

Legado:

1) à Viscondessa, o anel de brilhantes grande, no valor de 4 contos de réis + o relógio e a corrente, dados pela Viscondessa, ainda em vida, ao sobrinho Henrique José de Araújo

2) ao filho Joaquim Henrique de Araújo, a comenda de brilhantes da Ordem de Cristo, no valor de 1 conto e 500 mil réis

3) à filha Luiza de Araújo Souto, o pendente de brilhante da Ordem de Cristo, no valor de 1 conto de réis e as pretas que já estavam a seu serviço: Constança, no valor de 400 mil réis, o marido Theodoro, alforriado e Alexandrina, já doada, no valor de 400 mil réis (de cor preta, idade de 25 anos, solteira, filiação desconhecida, profissão mucama);

4) ao genro Jose Antonio Alves Souto, a comenda de brilhantes da Ordem de São Silvestre, no valor de 500 mil réis e o perdão dos juros de sua dívida, no valor de 1 conto 168 mil 36 réis;

5) à neta Julieta, filha de sua filha Maria Bibiana de Araújo, do primeiro leito com Domingos Custódio Guimarães, depois Barão do Rio Preto, quatro apólices de conto 400 mil réis cada uma, da dívida pública, só a usufruto, enquanto viva for e que, morrendo sem filhos, passariam as ditas quatro apólices para os manos que lhe sobreviverem, em partes iguais, no valor total de 4 contos 400 mil réis. Deixando, ainda, à essa mesma neta os botões de brilhantes e coral, que foram doados em vida, no valor de 1 conto 100 mil réis;

6) à neta Marieta, filha da mesma filha Maria Bibiana de Araujo com Domingos Custódio Guimarães, um conto de réis;

7) às netas filhas da filha Luiza de Araujo Souto com José Antônio Alves Souto, de nomes Luiza e Judith, um conto de réis para cada uma;

8) às netas filhas do filho Joaquim Henrique de Araújo casado com Laura Faro de Araújo, de nomes Laura e Luiza, um conto de réis para cada uma;

9) ao afilhado Joaquim filho de Feliciano Antônio de Macedo Paiva com Maria Bezerra Cavalcante Paiva, 400 mil réis;

10) à usufruto, quatro apólices da dívida pública de conto de réis cada uma, a cada um dos filhos de Juvenal Carlos de Almeida Dedem com Maria Magdalena de Jesus: José Joaquim de Almeida e Pedro Joaquim de Almeida, por morte de qualquer deles, passariam as ditas apólices para aquele que sobreviver ao outro, no caso de morrerem sem filhos legítimos, por morte de ambos, reverteriam as ditas apólices para os netos que então existirem;

11) à Julieta, parda, filha de João das Chagas, a quantia de 200 mil réis;

12) à Manuel de Gouvea Jardim a quantia de 600 mil réis;

todos estes legados seriam tirados da terça, assim como as despesas da mesma, para que os legatários recebessem livres de qualquer despesa. E depois das disposições cumpridas, determinava que as remanescentes da terça fossem divididas em duas partes iguais, instituídas por herdeira de uma das partes a mulher, o usufruto e por sua morte, passaria aos netos em partes iguais. Só sendo contemplados os filhos do falecido Barão do Rio Preto, marido da filha em primeira núpcias, os outros filhos que ela teve das segundas núpcias não teriam direito ao dito legado … por morte de alguns deles, passariam para os outros que sobrevivessem a estes que morreram e assim continuaria de uns para os outros que fossem morrendo, nunca para os pais Maria Bibiana de Araújo casada em segunda núpcias com Mário Lelis da Silva. A segunda parte da terça seria dividida em três partes iguais, uma para os netos filho de Joaquim Henrique de Araújo, outra para os netos filhos da filha Luiza de Araujo Souto e a terceira para usufruto dos netos filhos de Maria Bibiana de Araujo, casada com o falecido Barão do Rio Preto, por morte de alguns destes passariam para os outros que fossem sobrevivendo, menos para os pais Maria Bibiana de Araújo casada em segunda núpcias com Mário Lelis e Silva e nem para os filhos que estes tivessem desta segunda núpcias.

13) declarou dever ao filho Joaquim Henrique de Araújo duas letras no valor de 56 contos e quinhentos mil réis cada e outra no valor de 39 contos de réis;

14) declarou mais, já ter dado ao filho Joaquim Henrique de Araújo, por seu casamento, o dote de 100 contos de réis, e o escravo Manoel, no valor de 600 mil réis, estando, ainda, em seu nome o chalet à Rua da Fábrica das Chitas, nº 19, no valor de 16 contos de réis e as casas da Rua dos Araújos, no Andaraí, nº 2 e nº 4, no valor de 14 contos 80 mil réis e da Rua Bibiana, no Andaraí, prédios nº 16 e nº 18, no valor de 14 contos 200 mil réis;

15) à filha Maria Bibiana de Araujo deu o dote de cem contos de réis, quando de seu primeiro casamento;

16) à filha Luiza de Araújo Souto deu o dote de 80 contos de réis, tudo já em nome dela;

17) o montepio para a Viscondessa de 1 conto de réis e para as filhas Luiza de Araújo Souto e Maria Bibiana de Araújo de 500 mil réis cada uma no Montepio Geral;

18)  declarou estar forra a preta Eugênia, mulher de José Mantega e que a carta dela estava na secretaria. 

Depois do testamento, foram devolvidos aos doadores os prédios 19, 2 e 4, 16 e 18, recebidos em troca os de nº 33 e 35 da Rua do Marques de Olinda, no valor de 30 contos de réis.

As terras do Engenho de Santana do Macaco, no valor de 30 contos de réis, foram pagas, em parte, com três escravos: Thomé, Damaso e Arthur.

Ficando para sobrepartilha os rendimentos dos bens do espólio e o que, por ventura, restar da quantia destinada para compra das apólices para diversos legatários.

Em seu testamento, complementado pela sentença cível de formal de partilha extraída dos autos de inventário dos bens da finada Viscondessa de Piracinunga, de 11/01/1895, cujos originais foram transcritos por ‘Memorabilia – Paleografia e Diplomática’, a Viscondessa de Piracinunga, Luiza Bambina de Lima Araújo, declara:

“… achando-me de pé e em meu perfeito juízo, em bom entendimento, determinei fazer meu testamento pela forma seguinte: Sou católica apostólica romana, nessa fé nasci, tenho vivido e quero morrer. Sou natural da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro e nela fui batizada. Sou filha legítima do Marquês e Marquesa de Olinda, já falecidos e casada com Joaquim Henrique de Araújo, Visconde de Pirassununga, de quem sou hoje viúva, tive três filhos, estando hoje vivos somente dois, sendo: Joaquim Henrique de Araújo, casado e Maria Bibiana de Araújo Lelis e Silva, viúva, minha filha Luiza , viúva de José Antônio Alves Souto, faleceu em vinte e um de agosto de mil e oitocentos e noventa e quatro, deixando os seguintes filhos José, Luiza, Judith, Luiz, Henrique, Alberto e Eduarda. Nomeio meus testamenteiros e inventariantes de meus bens, em primeiro lugar a meu filho Joaquim Henrique de Araújo, em segundo lugar o meu tio, doutor José Bernardo de Figueiredo, os quais rogo queiram aceitar os referidos cargos, para cujo fim os hei desde já, por abonados em juízo e fora dele, independente de prestação de fiança. Declaro que sou irmã das ordens de São Francisco de Paula, do Carmo e de mais outras ordens e irmandades e devoções as quais meus testamenteiro avisará do meu falecimento para que me façam os sufrágios que me são devidos, depois de pagos os anuais. O meu testamenteiro mandará celebrar quinhentas missas por minha alma, quinhentas missas por alma de meu marido, duzentas pelas almas de meus pais, cinquenta pela alma de meu filho Pedro, cinquenta pela alma de minha filha Luiza, oitenta pela de meu irmão Pedro, cem pelas de meu sogro, sogra e mais parentes, cinquenta pelas de meus avós, cinquenta pela de minha tia Maria dos Anjos Cavalcantes, cinquenta pelas almas dos que foram meus escravos, vinte e cinco pelas almas das amas que me criaram. Deixo a meu filho Joaquim Henrique de Araújo, pela sua dedicação e carinho, lembro com que sempre me tratou, o anel de brilhantes grande, que foi de meu marido e que ele me deixou em lembrança em seu testamento. Deixo à minha filha Maria Bibiana de Araújo Lélis e Silva o meu broche de brilhantes. Deixo os meus brincos de brilhantes às minhas três netas, Julieta, Laurita e Luiza, para que repartam entre si os brilhantes e deixo mais às mesmas minhas netas as minhas pérolas. Deixo um par de castiçal de prata à minha neta Judith Souto. Deixo à Julieta Chagas, recolhida no Asilo dos Órfãos da Santa Casa da Misericórdia, um conto. Deixo à minha prima e muito amiga, a irmã Guilhermina do Coração de Maria, a imagem do glorioso São José, que se acha no altar de minha capela, em sinal de lembrança. Deixo ao Asilo do Bom Pastor ou alguma outra instituição religiosa desta cidade, ou mesmo fora, relevando que de preferência indico o Asilo do Bom Pastor, a quantia de dez contos de réis, ficando essa instituição na obrigação de fazer celebrar todas as semanas uma missa por minha alma e no dia do aniversário de meu falecimento uma missa e um ofício cantado pelas mesmas irmãs. Declaro que as despesas com os impostos dos legados deverão sair da minha terça, de forma que as beneficiadas recebam os seus legados por inteiro. Recomendo que as missas acima indicadas sejam em sua maior parte confiadas aos Reverendos Capuchinhos do Castelo. Tendo meu filho Joaquim Henrique de Araújo dirigido sempre meus negócios em geral, sempre aprovado e por mim muito bem aceitos todos os atos por ele praticados na direção dos meus bens. Assim também tenho por muito bem aceito e aprovadas as contas por ele apresentadas e recomendo aos meus herdeiros que aceitem sem contestação as que ele apresentar depois da minha morte, pois as reputo por validade e exatas. Por esta forma tenho concluído o meu testamento e disposições de última vontade, que escrevi e assino de meu próprio punho, rogando as justiças deste país queiram fazer cumprir e guardar tudo quanto neste se contem e declara. Declaro mais, que desejo sejam celebradas cem missas pelas almas do purgatório e vinte pelas dos meus confessores. Declaro ainda que meu testamenteiro terá três anos para prestação das contas deste testamento. Pelo ao digno juiz, por favor, de não mandar publicar nas folhas este meu testamento. Rio de Janeiro, trinta e um de dezembro de mil e oitocentos e noventa e quatro. Viscondessa de Pirassununga. Em aditamento a este declaro: se Julieta Chagas falecer sem descendentes, o legado de um conto de réis que ela deixa, deverá ser aplicado em missas pela sua alma e as de seus pais. Deixo um par de castiçal de prata como lembrança a meu confessor o Reverendo Senhor João Cardoso da Cruz Saldanha. Deixo à minha neta Maria Georgina, filha de meu filho Joaquim, uma salva de prata redonda, das maiores e outra à minha neta Maria de Lourdes, filha de minha filha Maria Bibiana, redonda e dos maiores. Rio de Janeiro, onze de janeiro de mil e oitocentos e noventa e cinco.”

Avaliação dos bens declarados:

1) bens de raiz = terreno e casa de sobrado, à Rua Conde de Bonfim nº89, 20 contos de réis

2) prédio na rua dos Araújos nº 16, na Fábrica de Chitas, 10 contos de réis

3) prédio na rua dos Araújos nº 18, na Fábrica de Chitas, 10 contos de réis

4) prédio na rua dos Araújos nº 20, na Fábrica de Chitas, 10 contos de réis

5) prédio térreo na rua dos Araújos nº 22, na Fábrica de Chitas, 10 contos de réis

6) prédio térreo na rua dos Araújos nº 24, na Fábrica de Chitas, 10 contos de réis

7) prédio térreo na rua dos Araújos nº 26, na Fábrica de Chitas, 10 contos de réis

8) prédio térreo na rua dos Araújos nº 28, na Fábrica de Chitas, 10 contos de réis

9) prédio térreo na rua dos Araújos nº 30, na Fábrica de Chitas, 10 contos de réis

10) terreno e casa na rua Souto Henrique nº 34, na Fábrica de Chitas, 8 contos de réis

11) terreno e casa na rua Souto Henrique nº 36, na Fábrica de Chitas, sendo a casa dividida em cinco habitações dadas para moradia de indigentes, 10 contos de réis

12) prédio e terreno à rua Desembargador Isidro nº 35, na Fábrica de Chitas, 14 contos de réis

13) prédio e terreno à rua Desembargador Isidro nº37, na Fábrica de Chitas, 18 contos de réis

14) prédio e terreno à rua Desembargador Isidro nº55, na Fábrica de Chitas, 15 contos de réis

15) prédio e terreno à rua Desembargador Isidro nº57, fazendo canto com a rua Pirassununga, na Fábrica de Chitas, 18 contos de réis

16) prédio e terreno à rua Pirassununga nº 1, na Fábrica de Cristais, 8 contos de réis

17) casa térrea à rua Dona Bibiana nº 30, na Fábrica de Chitas, 6 contos de réis 

18) um broche de ouro cravejado de brilhantes, 1 conto e 800 mil réis

19) um par de brincos de ouro com brilhantes, 2 contos e 500 mil  réis

20) um anel de ouro com brilhante grande, três contos de réis

21) um colar com 158 pérolas, a 3 mil réis cada pérola, 474 mil réis

22) um relógio de ouro pequeno para senhora, 50 mil réis

23) um canivete de ouro, 10 mil réis

24) um broche de ouro com pequenas pérolas para retrato, 20 mil réis

25) um par de brincos de ouro com camafeu, 10 mil réis

26) 4 camaféus, 5 mil réis

27) um par de botões para punho, anel e diamantes, 20 mil réis

28) uma pulseira de ouro mosaico, 50 mil réis

29) uma pulseira de ouro com medalhão, 100 mil réis

30) uma pulseira de ouro e coral, 30 mil réis

31) uma pequena coroa de ouro, 10 mil réis

32) dois trancelins de ouro, trança estreita de fios de ouro, 10 mil réis

33) um broche de ouro para retrato, 20 mil réis

34) um dito menor, 15 mil réis

35) um dito de ouro para retrato, 10 mil réis

36) um dito com mosaico, 15 mil réis

37) um dito com camafeu, 20 mil réis

38) dois broches de ouro com flores de coral, 60 mil réis

39) um par de bichas de ouro e coral (brincos, modelo bichas), 8 mil réis

40) um par de botões de ouro para punhos, quebrados e um dedal, 20 mil réis

41) uma corrente de ouro para relógio, 50 mil réis

42) uma dita de traspasse com medalha, 80 mil réis

43) um de bichas de ouro e mosaico, 4 mil réis 44) uma medalha de ouro, 4 mil réis

45) uma guarnição de rendas de Bruxelas, 100 mil réis

46) um corte de seda para vestido, 30 mil réis

47) um aparelho em prata para almoço, com cinco peças, pesando 3.700 gramas, a 50 réis a grama, 185 mil réis

48) um dito com 5 peças, pesando 1.000 gramas, a 52 réis a grama, 150 mil réis

49) um dito, pequeno, com quatro peças, pesando 1950 gramas, a 50 réis a grama, 97.500 réis

50) um par de castiçais pequenos, pesando 480 gramas, a 50 réis a grama, 24 mil réis

51) uma palmatória, pesando 350 gramas, a 50 réis a grama, 17.500 réis

52) um pequeno castiçal, pesando 250 gramas, a 50 réis a grama, 12.500 réis

53) 12 colheres de sopa e uma de arroz, pesando 700 gramas, a 50 réis a grama, 35 mil réis

54) 14 ditas de chá e uma concha de açúcar, pesando 250 gramas, a 50 réis a grama, 12.500 réis

55) uma concha para sopa, pesando 170 gramas, a 50 réis a grama, 8.500 réis

56) um par de trinchantes, pesando 100 gramas, a 50 réis a grama, 5 mil réis

57) um dito de dito, pesando 300 gramas, a 50 réis a grama, 15 mil réis

58) um paliteiro feito pera, pesando 150 gramas, a 50 réis a grama, 7.500 gramas

59) um dito feitio caboclo, pesando 200 gramas, a 50 réis a grama, 10 mil réis

60) um dito feitio manás, pesando 300 gramas, a 50 réis a grama, 15 mil réis

61) uma salva, pesando 620 gramas, a 50 réis a grama, 31 mil réis

62) um coador, pesando 10 gramas, a 50 réis a grama, 500 réis

63) uma salva, pesando 400 gramas, a 50 réis a grama, 20 mil réis

64) uma dita, pesando 360 gramas, a 50 réis a grama, 18 mil réis

65) uma dita, pesando 250 gramas, a 50 réis a grama, 12.500 réis

66) uma dita, pesando 450 gramas, a 50 réis a grama, 22.500 réis

67) uma dita, pesando 450 gramas, a 50 réis a grama, 22.500 réis

68) uma dita, pesando 250 gramas, a 50 réis a grama, 12.500 réis

69) uma dita, pesando 680 gramas, a 50 réis a grama, 34 mil réis

70) um par de castiçais, pesando 750 gramas, a 50 réis a grama, 37.500 réis

71) um dito, dito, pesando 750 gramas, a 50 réis a grama, 37.500 réis

72) um dito, dito, pesando 750 gramas, a 50 réis a grama, 37.500 réis

73) um dito, dito, pesando 800 gramas, a 50 réis a grama, 40 mil réis

74) um dito, dito, pesando 800 gramas, a 50 réis a grama, 40 mil réis

75) um dito, dito, pesando 300 gramas, a 50 réis a grama, 15 mil réis

76) uma escarradeira, pesando 500 gramas, a 50 réis a grama, 25 mil réis

77) uma leiteira, pesando 380 gramas, a 50 réis a grama, 19 mil réis

78) uma colher para peixe, pesando 200 gramas, a 50 réis a grama, 10 mil réis

79) um bule, pesando 400 gramas, a 50 réis a grama, 20 mil réis

80) uma saladeira de vidro azul, pesando 100 gramas, a 50 réis a grama, 5 mil réis

81) 12 colheres para sopa, pesando 1.250 gramas, a cinquenta réis a grama, 62500 réis

82) 12 ditos, dito, pesando 1.250 gramas, a 50 réis a grama, 62.500 réis

83) 12 ditos, dito, pesando 600 gramas, a 50 réis a grama, 30 mil réis

84)  12 ditos, dito, pesando 600 gramas,  50 réis a grama, 30 mil réis

85) 12 ditos, dito, pesando 600 gramas, a 50 réis a grama, 30 mil réis

86) 12 garfos, pesando 690 gramas, a 50 réis a grama, 34.500 réis

87) 12 ditos, pesando 690 gramas, a 50 réis a grama, 34.500 réis

88) 12 ditos, pesando 690 gramas, a 50 réis a grama, 34.500 réis

89) 12 ditos, pesando 980 gramas, a 50 réis a grama, 49 mil réis

81) 5 ditos, pesando 410 gramas, a 50 réis a grama, 20.500 réis

82) 12 colheres de chá e uma concha para açúcar, pesando 250 gramas, a 50 réis a grama, 12.500 réis

83) 12 ditos e uma concha para açúcar, pesando 210 gramas, a 50 réis a grama, 10.500 réis

84) 5 colheres para sopa, pesando 255 gramas, a 50 réis a grama, 12.750 réis

85) 10 ditos e uma concha para açúcar, pesando 450 gramas, a 50 réis a grama, 22.500 réis

86) uma concha para sopa, pesando 220 gramas, a 50 réis a grama, 11 mil réis

87) uma concha para arroz, pesando 180 gramas, a 50 réis a gram, 9 mil réis

88) uma dita para dito, pesando 180 gramas, a 50 réis a grama, 9 mil réis

89) 12 facas, pesando 1.680 gramas, a 50 réis a grama, 84 mil réis

90) 12 ditos pesando 1.680 gramas, a 50 réis a grama, 84 mil réis

91) 12 ditos, pesando 1.680 gramas, a 50 réis a grama, 84 mil réis

92) 12 ditos, pesando 1.680 gramas, a 50 réis a grama, 84 mil réis

93) uma pequena barra de prata, pesando 750 gramas, a 50 réis a grama, 37.500 réis

94) 20 garfos, 20 facas e 20 colheres de metal dourado, a 500 réis cada um, 30 mil réis.

>>> Bens existentes no prédio à rua do Conde de Bonfim, 79:

95) móveis sala de visitas: um espelho, moldura dourada, 50 mil réis

96) um dito, dito maior, 80 mil réis

97) um dito, dito maior, 80 mil réis

98) um étagère de mogno muito usado, 10 mil réis

99) um dito, idem, 10 mil réis

100) 4 poltronas de jacarandá, com assento de palhinha muito usado, 6 mil réis cada poltrona, 24 mil réis

101) 4 ditos de mogno, idem, a 5 mil réis, 20 mil réis

102) 6 cadeiras de dito, idem a 5 mil réis cada cadeira, 30 mil réis

103) 3 jarros de porcelana com defeito, a 5 mil réis

104) um licoreiro, 1 mil réis

105) 2 pequenos candelabros dourados a 2.500 réis cada, 5 mil réis

106) 2 porta cartões, a 10 mil réis cada um, 20 mil réis

107) um tapete muito usado, 2 mil réis

108) segunda sala, uma mesa de vinhático, 20 mil réis

109) 2 consoles de mogno muito usados a 4 mil réis cada, 8 mil réis

110) 2 espelhos, moldura preta, a 10 mil réis cada,, 20 mil réis

111) 3 jarras de porcelana, 20 mil réis

112) uma secretária de vinhático, 25 mil réis

113) 2 pequenas mesas, a 5 mil réis cada, 10 mil réis

114) uma cadeira de balanço, 6 mil réis

115) 12 ditos americanos com panelinha, a 5 mil réis cada, 60 mil réis

116) uma máquina para costura mão, 2 mil réis

117) quarto em baixo, uma secretária muito velha, 6 mil réis

118) 2 pequenas estantes, 2 mil réis cada, 4 mil réis

119) uma secretária de vinhático muito usada, 8 mil réis

120) terceira sala, um harmônio*, 1 mil réis (* harmônio ou harmónio, instrumento musical de teclas, cujo funcionamento é muito similar ao de um órgão, mas sem os tubos que caracterizam este último. Feito para uso doméstico.) 

121) um sofá e 15 cadeiras de mogno, assentos de palinha muito usados, 80 mil réis

122) 6 arandelas com mangás a 1 mil réis cada, 6 mil réis

123) sala de jantar, uma mesa de vinhático usada, 40 mil réis

124) 2 guarda pratos de ditos usados, a 60 mil réis cada, 120 mil réis

125) um filtro para água, 10 mil réis,

126) 2 consolos de mogno muito velhos a 3 mil réis cada, a 6 mil réis

127) um guarda comida muito usado, 10 mil réis

128) 12 cadeiras americanas muito usadas, a 3 mil réis cada, 36 mil réis

129) um relógio de parede, 5 mil réis

130) sobrado primeiro quarto, uma cama de mogno muito usada, para casados, dito mil réis

131) um canapé de mogno, 10 mil réis

132) um lavatório e pertences com defeito, 20 mil réis

133) 2 pequenos étagères, a 3 mil réis cada, 6 mil réis

134) segundo quarto, uma cama de vinhático pequena, 10 mil réis

135) um guarda vestidos de mogno foleado, muito usado, 20 mil réis

136) um toilette de mogno, idem, 20 mil réis

137) uma cadeira de braços de mogno, muito velha, 3 mil réis

138) 2 castiçais de metal, a 1 mil réis cada, 2 mil réis

139) terceiro quarto, uma cama de vinhático pequena, 10 mil réis

140) um lavatório, dito, oito mil réis

141) um armário com porta de vidro, 15 mil réis

142) louça, um aparelho para jantar de louça dourada, sendo 3 sopeiras, 5 fruteiras, 7 pratos redondos, 10 ditos travesseiros, 2 saladeiras, 2 mochilas, uma cremeira e 190 pratos diversos, 100 mil réis

143) 6 pratos de louça verdes (barro), 1 mil réis

144) uma cremeira, 2 mil réis

145) um lote de louça branca constando de uma sopeira, 13 pratos travessas, 27 ditos pequenos e uma cremeira por 30 mil réis

146) 16 canecas para café e 8 xícaras brancas para chá, 5 mil réis

147) 10 xícaras douradas para chocolate, 5 mil réis

148) 17 ditos escarlates, 1 mil réis cada, 17 mil réis

149) 26 xícaras avulsas e 6 pires para sorvetes, 8 mil réis

150) cristais e vidros, 6 copos, 6 cálices e 2 compoteiras, 13 garfos, 8 ditos com asa, 20 copos e 38 cálices, 84 mil réis

151) 9 cálices verdes, 1.500 réis

152) 14 garrafas brancas, a 2 mil réis cada, 28 mil réis

153) 48 cálices de cristal, a 500 réis cada um, 24 mil réis

154) 30 copos de cristal, a mil réis cada um, 30 mil réis

155) 105 cálices para champanhe, a 500 réis cada um, 52 mil réis

156) bandejas, uma bandeja de metal com espelho, 3 mil réis

157) uma dita de dito grande, 5 mil réis

158) uma dita quadrilonga*, 5 mil réis (*que tem 4 lados, paralelos 2 a 2, 2 mais compridos que os outros, retângulos)

159) uma dita oval, 5 mil réis

160) uma dita menor, 3 mil réis

161) uma dita, dita, 3 mil réis

162) um coufé, muito velho, precisando de grande concerto, 50 mil réis;

além dos bens avaliados nesta capital e na cidade de Petrópolis, o acervo possui: saldo da conta pronta encerrada, 676.500 réis + uma caderneta d0 Banco Rural e Hipotecário, 1 conto 163 mil e 810 réis + metade da dívida hipotecária do Comendador Luiz Felipe do Amaral, 16 contos 268 mil 274 réis;

a pagar ao Dr. Luiz de Araújo, por seus honorários médicos, segundo conta por ele apresentada, 5 contos de réis + ao espólio do Dr. Rocha Lima, idem, conta apresentada por sua viúva, 1 conto 300 mil réis + à dona Julieta Chagas, importância do legado a ela deixado pelo marido da inventariada e que esta conservou em seu poder, segundo declaração escrita da mesma, 200 mil réis;

a senhora Viscondessa de Pirassununga devia ainda a quantia de 108 mil réis de imposto do prédio da rua Souto Henrique, 34;

avaliação dos bens na cidade de Petrópolis:

163) uma casa à rua Monte Caseros, 20, 15 contos de réis

164) casa e benfeitorias foreiros aos herdeiros do senhor Dom Pedro de Alcântara, 10 contos e 800 mil réis

165) ao lado do prédio supra, 9 contos de réis

166) uma casa s/nº, 2 contos 500 mil réis

167) móveis existentes na casa nº 20: um sofá de mogno, 80 mil réis

168) 12 cadeiras simples e 3 de braços, 200 mil réis

169) um espelho oval, 50 mil réis

170) uma mesa elástica de vinhático, 20 mil réis

171) um aparador de mogno velho, 80 mil réis

172) um armário de pinho contorcido, 15 mil réis

173) 3 lavatórios de vinhático, 75 mil réis

174) 5 camas de vinhático usadas para solteiro, 100 mil réis

175) 24 cadeiras americanas, 120 mil réis

176) um guarda-vestido de vinhático, 80 mil réis

177) 2 comodas de vinhático, 100 mil réis

178) 2 mesas de vinhático, de cabeceira, 20 mil réis

179) uma dita de punho para cozinha, 5 mil réis

180) 26 cadeiras, 120 mil réis

181) 2 camas de ferro, 8 mil réis

182) uma cama de mogno para casado, 80 mil réis

183) uma cama de ferro para casado, 25 mil réis

184) 2 pequenas mesas, 25 mil réis

>>> Avaliação dos objetos que deram de dote a sua filha Luiza de Lima Araújo os Barão e Baronesa de Piracinunga, datada de 01/01/1863, devidamente assinada por eles:

a casa no Campo de Santana, 32, um sobrado com 4 janelas

a casa na Rua Nova do Conde, 304, com um portão e duas janelas

um terreno na Rua do Andaraí com 23 braças e 3 palmas e meio de testada, com 60 braças de fundo

joias

escravos

>>> Relação dos nomes dos escravos que dera a sua filha Luiza de Lima Araújo os Barão e Baronesa de Piracinunga, datada de 01/01/1863, devidamente assinada por eles: Amélia, Anastácio, Cezaria, Florinda, Germana, Joanna e Leopoldino.

Tataranetos do Marques de Olinda:

  1. Antonieta Andrada Baptista de Oliveira, casada com Francisco de Salles Baptista de Oliveira, Diretor do Banco de Crédito Rural do Estado de Minas Gerais
  2. Arino dos Santos Souto
  3. Alberto Carlos de Araújo Guimarães, Secretario da Comissão Brasileira na ‘Feira Mundial de Nova York’
  4. Constâncio Pereira Lima Junior
  5. Domingos Custodio Guimarães
  6. Fabio Bonifácio Olinda de Andrada, Deputado Estadual, Procurador da República
  7. Ilka Andrada Tostes, casada com Lahyr Paletta de Rezende Tostes, advogado, tiveram pelo menos uma filha Julieta de Andrada Tostes, que se casou com Guido de Almeida Magalhães
  8. Irene dos Santos Souto
  9. Jayme de Araújo Guimarães, funcionário do Ministério da Educação
  10. Jose Bonifácio Olinda de Andrada, Professor da Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil
  11. Luiza Maria Guimarães Andrada

curiosidade: A Rua dos Araujos foi aberta em 1852, em terras pertencentes a Maria Bebiana de Araújo, mãe de Joaquim Henrique de Araújo, Visconde de Pirassununga. Esta família foi famosa na Tijuca do século XIX. Suas terras eram extensas. Consta do Boletim da Câmara Municipal de 1863 as ruas abertas pelos herdeiros de Henrique Jose de Araújo: Rua Santo Henrique, Rua Dona Bebiana, Rua Barão de Pirassununga e Rua dos Araújos. Referência: Tijuca de rua em rua, Da Praça da Bandeira ao Alto da Boa Vista, Lili Rose Cruz Oliveira e Nelson Águia, Coleção Rio, Universidade Estácio de Sá, Editora Rio.

outra curiosidade: De início, a denominação Tijuca era usada para indicar a serra, a floresta e o pico. Por sua vez, o Engenho Velho compreendia o trecho da Rua Haddock Lobo e o começo da Rua Conde de Bonfim. A designação Andaraí Pequeno correspondia à região do Largo da Fábrica das Chitas (futuramente Praça Saens Peña) e às áreas margeando o Rio Maracanã até a subida do Alto da Boa Vista. Em 3 de julho de 1871, a rua (caminho ou estrada) do Andaraí Pequeno recebeu o nome do capitalista e proprietário de terras, José Francisco de Mesquita, quando ainda tinha o título de Conde de Bonfim. O Andaraí Grande abrangia o que é hoje Andaraí, Vila Isabel e Grajaú. Essa rua ficou depois conhecida como Barão de Mesquita. Vale lembrar que todas as pessoas mencionadas no presente parágrafo foram personalidades de destaque no Império e moradores da Tijuca. As homenagens ocorreram quando ainda estavam em plena atividade profissional, residindo nas ruas que receberam seus nomes. Muito chique …

“Cerca de seis milhas ao Oeste da cidade está situada a aldeia do Andaraí, onde começa a subida às Montanhas da Tijuca por um caminho outrora áspero, cheio de rochas e penhascos, quase intransitável durante a estação das chuvas, melhorando posteriormente, permitindo até a passagem de carruagens. Nesta aldeia, vários comerciantes brasileiros ricos possuem vivendas campestres e foram estabelecidas uma fábrica de papel e uma tecelagem e estamparia de algodão, se bem que com pouco sucesso.” (Tenente Henry Chamberlain, entre 1819 e 1820)

Henry Chamberlain era o filho mais velho de Sir Henry Chamberlain, cônsul geral e encarregado de negócios de Sua Majestade Britânica no Rio de Janeiro, no período de 1815 a 1829. Serviu na Real Artilharia Inglesa no Brasil, mas é mais conhecido como pintor e autor de Vistas e Costumes do Rio de Janeiro, obra relevante dessa época. Com o resumido texto acima, o tenente Chamberlain conseguiu, em poucas palavras, descrever o aspecto geral da Tijuca nas primeiras décadas do século XIX, fazendo, inclusive, menção à incipiente atividade industrial desenvolvida na região. Isto porque, em 1820, quando no Brasil tudo se importava, surgiu no Andaraí Pequeno a Fábrica das Chitas, instalada por José Joaquim da Silva. Nessa época, o Largo da Fábrica das Chitas nem de longe parecia uma praça. Na verdade, era apenas um espaço vazio, resultante do encontro da estrada do Andaraí Pequeno, hoje Rua Conde de Bonfim, com a travessa do Andaraí (também conhecida como rua da Fábrica das Chitas), atual Rua Desembargador Isidro.

“A palavra inglesa ‘chibntz’ deriva do termo indiano ‘chint’, que significa um tecido de algodão mais barato, estampado em toda a sua superfície de forma vivida, com um brilho encerado devido ao uso de goma. Geralmente traz desenhos de flores, frutas e pássaros, sendo popular desde o século XVII. Com o tempo, o termo passou a definir todo tipo de tecido exportado da Índia colonial para a Inglaterra que apresentasse padronagem floral complexa. (…) A padronagem chegou ao Brasil através dos portugueses, que também mantinham negócios com a Índia.”

Essa manufatura na região do Andaraí funcionou durante 20 anos. Apesar de ser considerada ‘fábrica’, sua produção não era nada complexa, pois só estampava tecidos de algodão vindos da Índia. Mesmo sem obter sucesso comercial, como bem observou o tenente Chamberlain, a Fábrica das Chitas permaneceu durante quase um século como referência do lugar.

O Imperador D. Pedro I (1798-1834), numa das cartas a sua amante, a Marquesa de Santos (1797-1867), se referiu à Fábrica das Chitas, em 18 de novembro de 1826.

“Meu amor, minha viscondessa e meu tudo, neste momento são nove horas e um quarto. Chego do meu passeio com a minha senhora, vindo da Fábrica das Chitas e do Papel, que ainda o não faz, e de ter entrado na chácara do visconde de Barbacena, onde me não apeei e lhe falei a cavalo mesmo. Estimei muito saber que mecê e nossos filhos passaram bem. Bem desejei que lhe fosse escrita em papel brasileiro da fábrica, mas por ora ainda o não há, que pouco espero assim não seja. Agora, meu encanto, só me resta dizer-lhe que é e será sempre. Seu fiel, constante, desvelado, agradecido e verdadeiro amigo e amante do fundo da alma. O Imperador”

Os problemas não consistiam apenas no abastecimento de água, visto que a citada fábrica foi socorrida financeiramente várias vezes. Em fins 1826, a Junta do Banco do Brasil fazia publicar a primeira loteria em benefício da Fábrica de Estamparia e Papel, no Andaraí, cuja extração principiaria impreterivelmente no dia 8 de janeiro de 1827. Os bilhetes achavam-se à venda no dito banco e na loja de livros de João Pedro da Veiga e Companhia.

No livro intitulado “Cartas de D. Pedro I à Marquesa de Santos”, o historiador Alberto Rangel registrou ainda alguns comentários e citações sobre as fábricas desse local.Na Fábrica de Chitas existia também uma indústria de papel, que foi inaugurada em 5 de setembro de 1821. Sete anos depois, passando por dificuldades, o co-proprietário da fábrica, Carneiro Constantino Dias Pinheiro, solicitou ao intendente da polícia uma licença para a realização de obras visando à captação adicional de água, o que infelizmente lhe foi negado. No entanto, para fins de escoamento, a ele foi permitido construir um aqueduto que ligava a Fábrica de Chitas, pelo Maracanã, até o Campo da Aclamação (hoje Praça da República).

Alberto Rangel conta também que, em 23 de fevereiro 1829, o intendente de polícia autorizou o sócio da fábrica, Felipe Néri da Silva, a usar armas para defender a empresa. Tal fato revela que a fábrica estava sendo vítima de arrombamentos e de roubos.

Além disso, o historiador menciona um trecho do discurso do Conde de Gestas, Cônsul-Geral da França no Brasil e morador do Alto da Boa Vista, sobre o estado da indústria na cidade do Rio de Janeiro. Tal discurso foi proferido em 6 de novembro de 1836, na Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional:

“Pouco tenho a dizer da Fábrica de Papel e Estamparia situada em Andaraí. Se se atender ao número de loterias que em todo tempo têm obtido para seu andamento, dificilmente se poderá explicar por que não tenham sido maiores os resultados.” (Cartas de D. Pedro I à Marquesa de Santos, 1984, p.107)

Ainda segundo Alberto Rangel, o Almanaque Geral do Império do Brasil, redigido em 1836 por Sebastião Fabregás Surigué, dá como existente no Andaraí a fábrica “Estamparia de Chitas e Papel”. A manufatura de chitas faliu duas décadas depois. A de papel permaneceu em funcionamento por algum tempo, de posse do Sr. André Gaillard, produzindo papelão e papel pardo. Há também o registro de que este proprietário procurava vários materiais indígenas para substituir os trapos usados como matéria prima.

O antigo Largo da Fábrica das Chitas foi reformado e transformado na Praça Saens Peña. Uma homenagem ao presidente argentino Roque Saenz Peña, que esteve no Brasil em visita oficial. A cerimônia de inauguração da praça ocorreu no dia 30 de abril de 1911 e contou com a presença do Prefeito Bento Ribeiro, que foi nomeado pelo presidente da república eleito em 1910, o Marechal Hermes da Fonseca.

Texto O Largo da Fábrica das Chitas, por Lili Rose Cruz Oliveira, formada em História pela Faculdade de Humanidades Dom Pedro II (1985), com especialização em museologia pela University of Nevada-Reno (1990). Foi professora do Instituto van Gogh (1986-1987), coordenadora do Instituto Cultural van Gogh (1999-2001) e curadora convidada da Nevada Historical Society (1988-1990). Desde 2002 desenvolve trabalhos sobre o Rio de Janeiro como historiadora; em 2003 integrou o Departamento de Pesquisa da Universidade Estácio de Sá.

Luiza de Araújo Souto

& José Antônio Alves Souto, filho de Antônio José Alves Souto, Visconde de Souto

Continua em DESCENDÊNCIA DO VISCONDE SOUTO