“A fome só se satisfaz com a comida 

 e a fome de imortalidade da alma

com a própria imortalidade.

Ambas são verdadeiros instintos.”

Fernando Pessoa

> continuação do post da Descendência do Marques de Olinda.

Manuel Antônio Alves Souto (português)

& Maria Antonia da Conceição de Jesus (portuguesa)

  • Antonio Jose Alves Souto, o Visconde Souto (português)

No começo da década de 1840, o filho, Antônio Jose Alves Souto, o Visconde Souto, mandou buscar em Portugal a mãe, Dona Maria Antonia da Conceição de Jesus e os irmãos Rodrigo Jose, Maria Cândida e Ana Maria, que se casaram no Brasil com pessoas de excelentes famílias.

Rodrigo Jose se casou com Victorine Sigaud Souto, filha do célebre médico francês Dr. Joseph-François-Xavier Sigaud, médico de D. Pedro II.

Antônio Jose Alves Souto nasceu em Portugal, na cidade do Porto, em 28/03/1813, na Rua Nova de São João.

Os registros abaixo são um misto de informações de um artigo de Francisco Souto Neto, http://www.museu-emigrantes.org/docs/titulados/Visconde%20de%20Souto.pdf sobre quem falarei mais a frente e de algumas outras, encontradas em leituras diversas, uma aqui outra ali.

Aos 16 anos, em 1830, emigrou para a capital do Brasil Imperial, onde chegou em 27/01/1830, começando a trabalhar como caixeiro na Casa Ferreira & Cohn, até instalar-se como corretor de fundos e mercadorias.

Em 30/08/1834 casou-se com Maria Jacintha de Freitas Caldas, brasileira.

Na década seguinte (anos 40) tornou-se o primeiro banqueiro de que se tem notícia no Brasil. Sua casa bancária, A. J. A. Souto & Cia., ficava na Rua Direita, 59, e era conhecida como Casa Souto.

Eduardo Bueno*, em seu livro ‘Caixa: Uma História Brasileira’, faz a seguinte menção à Rua Direita: “Um dos mais antigos e tradicionais endereços do Rio, a Rua Direita concentrava em 1861 praticamente todos os bancos e casas de finanças da Corte”. Eduardo Bueno, Caixa: Uma Histótia Brasileira, Buenas Idéias Metalivros, Novembro de 2002. 

O Presidente do Banco do Brasil, à época, 1965, assim falou sobre a Rua Direita no livro ‘A Velha Rua Direita’: “À Rua Primeiro de Março, antiga Rua Direita, ligam-se os fatos mais importantes da crônica da cidade, pois aí nasceu e se desenvolveu a sua vida comercial. Foi o centro para o qual, por muitos anos, convergiu a riqueza de extensa região. Nela abrigaram-se lojas e escritórios, armazéns e depósitos, agências de navios, atacadistas e retalhistas, exportadores, corretores e banqueiros; nela funcionou o Erário, apregoaram-se valores mobiliários, concentraram-se as atividades que viriam fazer de nosso porto um dos mais importantes e movimentados do Continente.” 

Fernando Monteiro, em seu livro ‘A Velha Rua Direita’, oferece as seguintes informações sobre referida rua:

> “Defronte da Igreja do Carmo, junto ao sítio da antiga ermida de Nossa Senhora do Ó, teve início, em direção ao morro de São Bento, a Rua Direita …”

> “E a Rua Direita era mais propriamente uma praia: o mar vinha quebrar-se em ponto correspondente ao seu eixo atual.”

> “Ao longo da Rua Direita, situava-se parte da praia da cidade, com casas apenas no atual lado esquerdo ou ímpar, sendo proibidas construções do lado do mar, pois a faixa de marinha, a piaçaba, devia ficar livre, não só para embarque e desembarque, como para melhor defesa.”

> “Com as formações aluvionais, o mar foi recuando e, em 1646, já havendo entre ele e a Rua Direita boa área aproveitável, obteve o Governador Duarte Correia Vasqueanes (da estirpe dominante dos Correia de Sá, tio de Martim de Sá), que a Câmara, usando autorização régia, pusesse à venda aquela área, constituída de terrenos de marinha.”

Amigo do Imperador D. Pedro II, comprou uma grande propriedade, que confinava com a Quinta Imperial da Boa Vista, onde construiu uma ampla residência, cercando-a de um dos mais belos jardins do Rio de Janeiro. Numa das extremidades da propriedade, conhecida como ‘Chácara do Souto’, criou um zoológico, o primeiro da capital imperial, com espécimes da fauna brasileira e animais importados da Europa, Ásia e África, que franqueava a visitação pública aos domingos e feriados.

No ano de 1850, o então Visconde Souto comprou do espolio do Conde de Gestas (Aymar Marie Jacques Gestas, morto em 1835) a Fazenda Bela Vista (às vezes mencionada como Boa Vista), fazenda esta que pertencera a uma Sesmaria dos Viscondes de Asseca e que fora adquirida em 1810 por Gestas.

Quando o Visconde de Souto adquiriu a propriedade havia ali um palacete de colunas toscanas, a direita do qual, no ano de 1860, mandou erguer uma capela em louvor à Nossa Senhora de Belém, como indica a estrela branca de cinco pontas no alto da fachada.

Em 1864, a Fazenda foi vendida ao Sr. Jose Francisco de Mesquita, Barão, Visconde, Conde, Marques de Bonfim, que ao falecer em 1873 deixou a propriedade ao filho Jerônimo José de Mesquita, o Barão de Mesquita, tendo como padroeira Nossa Senhora do Carmo. Ao falecer em 1886, sua filha Francisca Elisa de Mesquita herdou a propriedade, que vendeu em 1888 ao Conselheiro Francisco de Paula Mayrink, passando a ser conhecida pelo nome de Capela Mayrink, tendo Nossa Senhora da Imaculada Conceição por padroeira. Este mais tarde transferiu a propriedade ao Governo Federal. Réplicas dos painéis pintados por Candido Portinari em 1944 e doados à Capela em 1945, encomendados para a Capela, reproduzem Nossa Senhora do Carmo, São Simão Stock, São João da Cruz e o Purgatório, estando os originais no Museu Nacional de Belas Artes. Estas obras haviam sido roubadas em agosto de 1993, numa madrugada em que houve pane geral de luz no parque, e foram recuperadas no ano seguinte, em abril de 1944,  pela Polícia Federal e, por questões de segurança, não mais voltaram à Capela, indo para o MNBA, onde ficaram em comodato, incluídas no acervo oficial do museu em 2013, conforme informação publicada na Revista Veja Rio, em 1º/05/2013. Estas obras, que estão atualmente na Reserva Técnica do MNBA e compuseram a Exposição ‘Portinari e os painéis da Capela Mayrink’, realizada no próprio Museu Nacional de Belas Artes, no período de 20/04 a 09/06/2013. As estátuas externas representam a Fé e a Caridade e vieram da Igreja do Bom Jesus, demolida por ocasião das obras de abertura da Avenida Presidente Vargas. A capela passou por uma grande reforma entre 1969 e 1987, tendo sido demolida a sacristia e retiradas todas as interferências arquitetônicas inseridas, voltando ao seu desenho original. Num trabalho de resgate de sua memória, uma nova imagem de Nossa Senhora de Belém foi acrescida ao acervo da capela, figurando as três padroeiras, permanecendo Nossa Senhora do Carmo como sua padroeira oficial. Essa imagem de Nossa Senhora de Belém é uma das obras mais importantes do escultor Baldinir Bezerra, feita a partir da imagem de uma pintura. Belém de Portugal. Belém de onde saíam as embarcações para as grandes descobertas. Santa padroeira dos navegantes. Em maio de 2006 iniciaram-se novas obras de reforma. Nessa ocasião estive, acompanhada de meu filho, Ricardo Pinheiro Grumbach, na administração do Parque Nacional da Tijuca, conversando e passando informações sobre o Visconde Souto, seu construtor.

Existe no Conselho de Sintra, em Rio de Mouro, o Sacro Templo de Nossa Senhora de Belém, do século XVI. Em 1563, o Cardeal D. Henrique, tio-avô de Dom Sebastião, que poucos anos depois iria governar o país, sucedendo a Dom Sebastião, tomou uma importante medida para o futuro de Rio de Mouro, mandando construir uma  igreja da invocação de Nossa Senhora de Belém para repouso dos frades do Mosteiro dos Jerónimos. A devoção a Nossa Senhora de Belém chegou a Portugal com uma pequena capela que prestava assistência espiritual para os viajantes e marinheiros que paravam nas praias do Restelo, em Lisboa. O Rei Dom Henrique transformou a capela em uma igreja e adotou como padroeira Santa Maria de Belém. Dom Henrique muito incentivava as navegações portuguesas e era devoto fervoroso de Nossa Senhora de Belém. Ele dizia: “Assim como a estrela de Belém guiou os Reis Magos até a manjedoura, onde se achava o Menino Deus, assim também a Senhora de Belém ajudará a encontrar novas terras e o caminho para as Índias.” A devoção a Nossa Senhora de Belém chegou ao Brasil por meio dos portugueses. Na viagem de Pedro Álvares Cabral havia uma imagem de Nossa Senhora de Belém no navio.

Todo primeiro domingo do mês é celebrada uma missa às 12 horas na Capela Mayrink, na Floresta da Tijuca, rezada pelo Padre Marcelo de Assis Paiva, Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Luz, Estrada de Furnas, 220 – Alto da Boa Vista. Nessa Capela, em janeiro de 2015, minha neta Antonia Faccini Grumbach foi batizada pelo Padre Marcelo, que a apresentou carinhosamente aos presentes como ‘a Viscondessinha’.

O Visconde de Souto foi Presidente da Real Beneficência Portuguesa. http://nossosroteiros.com.br/blog/visconde-souto-na-beneficencia-portuguesa/

Foi também um dos fundadores da Junta de Corretores, hoje Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

Fez parte da primeira diretoria da Caixa Econômica Federal.

Era Comendador da Ordem de Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa por Portugal e dignatário da Ordem da Rosa pelo Brasil.

O título de Visconde Souto lhe foi dado pelo Rei D. Luis I, em decreto de 12/12/1862.

Em meio a retração econômica, o Governo imperial promulgou a Lei nº  1083, de 22/08/1860, que continha em seus oito artigos Providências sobre os bancos de emissão, meio circulante e diversas companhias e sociedades.  A ‘Lei dos Entraves’, como ficou conhecida, abalou o sistema bancário carioca. Houve uma forte retração da liquidez, seguida da alta das taxas de juros e da falência de casas bancárias. O Banco do Brasil tentou intervir na crise e concedeu empréstimos a Casa Souto, que acumulou uma dívida de 22 mil contos de reis, o que correspondia a metade do capital do Banco do Brasil. A impossibilidade do Banco do Brasil de continuar a rolagem das dívidas da Casa Souto, levou-a à falência e espalhou um verdadeiro pânico nos comerciantes da Corte, ameaçando o Banco do Brasil de graves prejuízos, como principal credor da mencionada casa, como também pelo ataque sobre seu fundo disponível.

Em 1863, surgiram os primeiros indícios de crise no Brasil, em conjugação com os efeitos depressivos da guerra civil norte-americana e de fracas colheitas de café.

Em 17/09/1864, o Decreto 3.308, editado pelo Governo Imperial visou regular, de forma extraordinária, os efeitos da crise atravessada pela praça do Rio de Janeiro naquela oportunidade.

Foi, em decorrência da adversidade da conjuntura financeira do momento, que resultaram as mudanças traçadas pelo legislador quanto à falência de bancos.

O referido decreto produziu efeitos desastrosos no mercado, redundando na falência da Casa Bancária de J. A. Souto & Cia. e de outras entidades financeiras.

No dia 10/09/1864 a casa bancária do Visconde Souto, a mais importante do pais, faliu e esse triste episódio recebeu o nome de ‘Quebra do Souto’, item de estudos até hoje.

Consta do diário de seu filho, Jose Antônio Alves Souto a seguinte anotação: “Em 10 de setembro de 1864, por motivos que não são desconhecidos, meu Pai foi obrigado a suspender pagamentos da sua casa bancária, à Rua Direita, 59, entrando ela em liquidação, dirigida pelos seus credores.” 

Em consequência, faliram cerca de cem outras empresas, dentre elas diversas das mais conceituadas casas bancárias do Império.

O Visconde Souto e os demais banqueiros falidos foram vítimas da crise e não os seus causadores.

A ‘Quebra do Souto’ foi muito traumática, porque a casa bancária do Visconde tinha 10.000 credores e seu passivo equivalia a metade da dívida interna do Brasil. Esse fenômeno mudou os rumos da História da Economia do país.

Uma Comissão de Inquérito, mandada instalar pelo Imperador D. Pedro II, sobre as causas principais e acidentais da crise do mês de setembro de 1864 na praça do Rio de Janeiro, inocentou o Visconde Souto em 1866, dois anos após a ‘catástrofe’.

O Almanak Laemmert de 1864, às páginas 614, relaciona as nove casas bancárias e seus respectivos endereços, existentes naquele ano no Rio de Janeiro:

Antônio Jose Alves Souto (A. J. A. Souto & C.), Rua Direito, 59, sobrado

Bahia Irmãos & C, Rua da Alfândega, 32

D’Illion & Marques Braga, Rua do Sabão, 6

Gomes & Filhos, Rua Direita, 51

Lallemant & C, Rua de São Pedro, 7, sobrado

Mauá, Mac Gregor & C, Rua Quitanda, 143

Montenegro, Lima & C, Rua Direita, 43

Oliveira & Bello, Rua Direita, 47

Silva Pinto, Mello & C, Rua de São Pedro, 83

Tendo pago a todos os credores menores e mais pobres e a quase todos os maiores e mais ricos.

Para pagar as dívidas, a Fazenda Bela Vista foi vendida no mesmo ano de 1864 ao Conde de Bonfim que foi, portanto, o segundo proprietário da Capela. O Conselheiro Mayrink foi o terceiro e último, quando o oratório que pertencera ao Visconde Souto passou a ser conhecido como ‘Capela Mayrink’. A propriedade foi desapropriada em 1897 para integrar o Parque Nacional da Tijuca. A mansão foi demolida, mas a capela, felizmente, foi poupada e tornou-se uma das atrações do Parque Nacional da Tijuca, para o encanto de todos quantos a visitam, bem como o Barracão, que hoje funciona como sede administrativa.

Voltando à Lei dos Entraves, entre as suas várias determinações, trazia a primeira menção oficial à criação das Caixas Econômicas no Brasil, ainda que para o surgimento da instituição ainda fosse necessária a publicação de um novo decreto, assinado cinco meses depois, conforme escreveu Eduardo Bueno no livro ‘Caixa Uma História Brasileira’. Assim, em 12 de janeiro de 1861, foi implantada oficialmente pelo Decreto nº 2.723, a Caixa Econômica da Corte, cujas seis primeiras reuniões do conselho se realizaram em uma sala da Escola Nacional de Engenharia, no Largo de São Francisco, no Rio, entre março e junho de 1861. A partir da posse de Antônio Nicolau Tolentino como membro do conselho, assumindo o cargo de secretário, “as reuniões do conselho passam a ser realizadas na mansão do banqueiro e financista Antônio Jose Alves Souto, localizada na Rua Direita, um dos endereços mais cobiçados do Rio de Janeiro”.

Ainda segundo Eduardo Bueno, “a Caixa Econômica tem suas dívidas para com o comendador Alves Souto: além de ceder os aposentos de sua residência para cerca de dez reuniões do conselho, foi ele quem providenciou a mobília da sala da Câmara dos Deputados, no prédio da Cadeia Velha (onde atualmente se ergue o Palácio Tiradentes), na Rua da Misericórdia, onde ficara decidido que a Caixa, na falta de local mais apropriado, iniciaria suas atividades.”

A seguir transcrevo trecho do livro ‘A Velha Rua Direita’, de Fernando Monteiro, Banco do Brasil S.A., Museu e Arquivo Histórico, Rio de Janeiro, 1965, que aborda a Rua Direita, o Visconde Souto e sua corretora:

“Escritórios de desconto de letras, corretagem de câmbio e venda de apólices da dívida pública e ações de companhias davam preferência à Rua Direita, onde também funcionaram casas bancárias que fizeram época no Segundo Reinado, como as de Antônio Jose Alves Souto & Companhia, Gomes & Filhos, Oliveira & Belo e Montenegro, Lima & Companhia.

A suspensão de pagamentos por essas quatro firmas – a primeira delas fundada pelo depois Visconde de Souto, que começara como mero corretor de negócios do período agitado da Regência, impondo-se, por fim, não só como banqueiro opulento e figura de expressão no mundanismo da cidade, como pela simpatia que a todos inspirava por seu trato ameno e maneiroso, um public-relations nato – gerou a mais súbita e dramática crise sofrida pela praça do Rio de Janeiro, a que estourou a 10 de setembro de 1864.

A corrida e a sofreguidão de depositantes alarmados por boletins anônimos, que incentivaram o povo à desordem, determinaram cenas de violência e pânico não só na Rua Direita, como na da Alfândega, onde estavam localizados o Banco do Brasil, o London & Brazilian Bank e a casa bancária Bahia Irmãos & Companhia. Para proteger o Banco do Brasil – contra o qual havia bastante animosidade, decorrente da crença de haver ele negado recursos para debelação das dificuldades de Antônio José Alves Souto & Companhia – foi chamado um piquête de cavalaria do Corpo Policial da Côrte, o qual, recebido com gritos sediciosos de fora a polícia !, teve de manobrar, dispersando a multidão amotinada, com pisaduras e ferimentos.

A falência daquela firma, com perto de dez mil credores e o passivo de quarenta e dois mil contos de réis, repercutiu tão intensamente pelo País inteiro, que Calógeras recorda em sua clássica obra La Politique Monétaire du Brésil a tradição corrente, segundo a qual, nas mais remotas fazendas, por força de tanto ouvi-la, os papagaios constantemente repetiam a expressão: O Souto quebrou !

Tal crise – consequência da febre de negócios que se seguiu à extinção do tráfico de africanos, febre que Joaquim Nabuco classificou de ânsia de enriquecimento rápido, por um golpe de audácia – foi ampla e minuciosamente documentada no relatório da Comissão incumbida pelo Governo Imperial de estudar-lhe as causas. Integraram essa Comissão Ângelo Muniz da Silva Ferraz, ex-Ministro da Fazenda e autor da reforma bancária de 1860, José Pedro Dias de Carvalho e Francisco de Assis Vieira Bueno.

Quem não quiser, porém, recorrer a tão sisudo documento, recheado de algarismos e considerações técnicas, poderá limitar-se à leitura amena de uma das crônicas de Machado de Assis, que também viu a crise a seu modo, mencionando a tristeza do espetáculo, a praça em apatia, as ruas atulhadas de povo, a polícia pedestre a fazer sentinela, a polícia equestre a fazer correrias, vales a entrar, dinheiro a sair, vinte boatos por dia, vinte desmentidos por noite, ilusões de manhã, decepções à tarde; enfim – segundo o autor de Dom Casmurro – uma situação tão difícil de descrever como difícil de suportar.”

O Visconde de Souto faleceu no Rio de Janeiro, em 14/02/1880, às 3:30 horas, aos 67 anos, na sua casa, à Rua do Campo Alegre, 22, honrado e respeitado. Sepultado em 14/02/1880, às 17:00 horas, no Cemitério de São Francisco de Paula, Carneiro 59, ao lado dos Marqueses de Olinda.

A Viscondessa faleceu no Rio de Janeiro, em 27/10/1885, às 17 horas, aos 66 anos, na casa de seu filho Manoel, à Rua Marques de Abrantes, 79. Foi sepultada no dia 28/10/1885, às 17 horas, no Cemitério de São Francisco de Paula.

O Visconde Souto e a Viscondessa tiveram 13 filhos, todos nascidos no Rio de Janeiro. Em decorrência do casamento de seus filhos, aparentaram-se com as famílias do Marques de Olinda, Visconde de Piracinunga, Conde de Ipanema e do Ministro Euzébio de Queiroz, casas das mais ilustres do Brasil.

Há um retrato do Visconde Souto na Beneficência Portuguesa, instituição que ele presidiu.

>>> retrato 10,5 x 6, identificado como sendo ‘do Bisavô Souto’.

De acordo com informação de Francisco Souto Neto, obtida com Fernanda Louzada, um retrato a óleo do Visconde Souto, pintado por Benedito Calixto, em 1891, foi a leilão na Bolsa de Arte do Rio de Janeiro, em 30/06/1992. E que outro retrato a óleo do Visconde e um da Viscondessa Souto, de autoria do mesmo artista plástico, também pintados em 1891, foram a leilão na mesma Bolsa de Arte no dia 17/06/1995.

Fiz contato com a Bolsa de Arte e recebi de Eloísa Bergamin (elobergamin@bolsadearte.com) a confirmação de que apenas dois retratos a óleo teriam feito parte de leilões daquela Bolsa:

  • um do Visconde Souto, óleo sobre tela, 1891, 64 x 50, assinado, lote 115 de 30/06/1992 e
  • outro da Viscondessa Souto, óleo sobre tela, 1891, 62 x 50, assinado no canto direito, lote 134 do leilão de 27/06/1995.

Nós temos conosco, em nossa casa, um retrato á óleo do filho do Visconde Souto, Jose Antônio Alves Souto, que se casou com a neta do Marques de Olinda, Luiza de Araújo Souto.

>>> José de Bessa e Meneses, que à época, ano de 1880, estava residindo em Portugal escreveu ao ‘Redator Principal’ do Jornal Commercio de Lisboa, Luciano Baptista Cordeiro de Sousa:

“Pedes-me tu, que só no declinar da existência, à beira do tumulo, conheceste o visconde de Souto e tamanha sympathia te inspirou logo, que eu te diga alguma cousa, e já, a seu respeito.

Fallece-me o animo, meu amigo. Sou eu o menos competente para dizer d’aquelle homem, verdadeiramente extraordinario, como lhe chamaste. Incompetente, por pouco lhe saber da vida, rica de acontecimentos, nobilitada por acções do mais fidalgo sentir, – que bem narrada encheria volumes – e sobretudo pela mingoa de cabedal litterario para escrever cousa que possas ler sem accommetter-te o tédio, ainda fazendo-o de espirito repousado, reflectida e pausadamente; quanto mais já; mas porque o desejas e os impulsos do coração m’o impõe como homenagem de gratidão ao nobre visconde de Souto, falecido no Rio de Janeiro em 14 d’este mez; e porque, longe d’aquella terra querida, não posso ir hoje, reverente e agradecido, desfolhar algumas flores e depor saudades e perpetuas na campa que encerra o melhor e mais generoso dos amigos, vencendo o natural acanhamento, obedeço-te; e ahi vae em frase singela o que d’ele sei. Veste tu, meu erudito Luciano, com o teu esmaltado e terso estylo esses apontamentos, que outro nome não tem nem merecem, se, porventura, resolveres dar-lhe publicidade no Commercio de Lisboa, que com tanto critério e brilhantismo rediges.”

E, a partir deste mesmo número do jornal (nº 339, de 23 de fevereiro de 1880) teve início a publicação da primeira de seis partes do artigo escrito por José de Bessa e Meneses, em Lisboa, em 21 de fevereiro de 1880.

Antônio José Alves Souto nasceu em 28 de março de 1813, na cidade do Porto, em modesta casa da rua Nova de S. João. “Teve humilde berço para embalar-se, a creança destinada a ser um dia o maior colosso comercial que jamais produziu Portugal !”

Aos 16 anos embarcou para a capital do Brasil, onde chegou a 27 de janeiro de 1830, trazendo no bolso uma carta de recomendação da respeitabilíssima casa de Barros Lima, do Porto, que lhe “dava direito a casa, cama, farta mesa e dinheiro para as primeiras necessidades, sem obrigação nem promessa de futuro pagamento.”

“Como em tão curtos anos tão larga mudança fazem os homens !”

Sua vida profissional teve início com o emprego de caixeiro na casa dos correctores-banqueiros Ferreira & Cohn, “uma das mais importantes do Rio de Janeiro, frequentada pelos homens mais influentes do commercio, que sympathicamente attrahidos se dirigiam de preferencia ao novel empregado; pouco tempo se demorou n’ella Souto.”

“Entre muitos amigos, dedicavam-lhe paternal afeição, o velho Maxwel, cidadão norte-americano; e Jeronymo de Freitas Caldas. Sob a proteção d’esses honrados negociantes estabeleceu-se ele em fins de 1834 como corrector de fundos e mercadorias.”

“Contava então 22 anos; estava um homem em todo o vigor da mocidade, de estatura mais que mediana, robusto, sem ser corpulento, grave e alegre, com certa nobreza de compostura, sempre irrepreensivelmente trajado, denunciava-se-lhe a exuberancia de vida, a ardencia do sangue, a tenacidade de caracter na atividade febril, na rapidez dos movimentos, no fulgor de olhar agudo e profundo, na segura serenidade com que tomava as mais graves decisões. Possuindo pouca instrucção, era fino e agradavel conversador; sabia-lhe a palavra prompta, a frase fluente, sem a menor affectação, d’uma singeleza inimitavel, observação de rara justeza e rapida, intermeando a conversação de ditos espirituosos, sem nunca servir-se de graçolas, agradava a sua presença em toda a parte.

Não fazia phrases de efeito, era sobrio de gestos, não declamava, e era eloquentíssimo.

Havia na sua voz vibrante e sonora, doce e musical, uma força de persuasão irresistível, e persuadia dobradamente por andar-lhe o coração constantemente à flor dos labios; nunca se serviu da palavra para ocultar o que sentia e pensava.

Com taes dotes tornou-se bem aceito às damas e estimado dos homens.”

Veio a se casar com a Srª D. Maria Jacintha de Freitas, sobrinha de seu particular amigo e protetor Jeronymo de Freitas Caldas, “corria o anno de 1835”, tendo sido padrinho, seu não menos decidido protetor, o americano Maxwel.

“Por esse tempo, dous ou três anos depois de estabelecido Souto, chegou ao Rio de Janeiro, fortemente recomendado a Maxwel, Dovey, vindo de Londres.

Era Dovey homem experimentado no commercio: na Inglaterra havia sido empregado da antiga casa Wanzeller.

Maxwel, com o espírito pratico de verdadeiro americano, que era, compreendendo imediatamente quanto devia ser útil a juncção d’aquellas duas forças e aptidões differentes, do impetuoso temperamento meridional e da friesa anglo-saxonia, da audacia e da moderação, do ardimento empreendedor e da calma reflexiva, de Souto e de Dovey, resolveu fazer a sociedade anglo-lusa.

Communicado o seu projecto aos interessados, que já se tinham encontrado e instinctivamente se estimavam, pelo que justamente valiam, foi por eles aceito com reconhecimento; e formou-se a sociedade Souto & Dovey, para o mesmo negocio, corretagens de fundos e mercadorias.

A entrada, dentro em pouco tempo, de um novo sócio, Benjamim, também inglês, obrigou a sociedade a mudar a firma para a de Souto, Dovey & Benjamim.

Dovey, além do seu gênio positivo e energico, ordeiro e disciplinador, havia aprendido na grande metropole do commercio do mundo, a apreciar a vantagem das largas e variadas operações, de modo a fazer com o mesmo capital repetidos negocios, não immobilisando irreflectidamente em transacções de morosa realização, de que pouco se cuidava, ainda no Brazil, onde o capital ficava improductivo longo tempo, por falta de emprego momentâneo e remunerador, pois não havia bancos que dessem e recebessem dinheiro em conta corrente de juros.”

“Os negociantes inglezes monopolisaram por aquelle tempo, quasi exclusivamente, o commercio de exportação do Rio de Janeiro; e com a entrada de Dovey para a firma, todos eles se tornaram compradores de Souto, Dovey e Benjamim.

Ahi principiou deveras e merecidamente a firmar-se a grande reputação de Antonio José Alves Souto. Em pouco tempo, inglezes, brasileiros, francezes, portuguezes e allemães, tratavam dos seus negocios com qualquer dos outros sócios, mas acabavam geralmente pelos decidirem com ele, tão sympathicase tornava a todos a sua pessoa. A sua atividade fez prodigios. Nos trapiches de deposito, nos armazens de café, em casa dos freguezes, na praça, no escriptorio, alternadamente, via-se ele por toda a parte; e no entanto, quando era preciso, sabia-se onde encontral-o, porque o itinerario das suas escursões, o programa dos seus trabalhos diarios ficava no escriptorio. Andava elle, pois, ao corrente de tudo e tudo via quanto era concernente ao seu negocio, estando sempre prompto a informar o comprador das mais minuciosas particularidades, fosse o que fosse de que se tratasse.

Boa parte da produção do Brazil era n’esse tempo vendida no Rio de Janeiro, pois não só eram limitadissimas as transacções directas entre a Europa e os portos do sul do Rio de Janeiro, nem a Bahia e Pernambuco negociavam com as republicas do Rio da Prata, senão por intermedio da capital do imperio. O fumo e o café, o assucar e a aguardente, tudo ali se vendia e boa parte por intervenção de Souto, Dovey & Benjamim.

Subiram imediatamente a milhares de contos de réis a somma das vendas da casa; a percentagem, sendo pequena, e dividida por tres sócios, só ao fim de largos anos, daria a cada um d’elles regular  fortuna; por isso, estando na infancia a industria bancaria, resolveu Souto empregar o capital da casa em desconto de titulos mercantis e em seguida receber dinheiro em deposito por contas correntes de premio,  de que passava ‘cheques’, à ordem dos depositantes ou ao portador, o que constituía uma novidade na vida commercial do Rio de Janeiro.

O menino desprotegido, estava banqueiro !

O credito da casa foi crescendo e as suas transacções alargando-se. A importância dos depositos augmentava constantemente. O publico foi-se familiarisando com o negocio da casa bancaria. Sommas enormes, em relação a época, as sobras dos negociantes procuravam n’ella emprego retributivo.

Timido a principio, foi-se o dinheiro afoutando, caminhando para a casa bancaria, que, a seu turno, afim de aproveital-o, abria mais vasta esphera ao seu movimento, facilitando todos os negocios, que ali mesmo, acto continuo, se entabelaram e terminaram. Por exemplo, cumprindo ordens de negociante exportador, comprava um carregamento de café, pagava-o, e tendo antecipada e, condicionalmente, vendido a cambio, entregava ou creditava o saldo ao exportador.

Em curto espaço, sem ruído, sem ostentação, sem artimanhas, natural e honestamente, tornou-se a casa dos honrados banqueiros o centro de que irradiava o mais variado impulso mercantil do Rio de Janeiro.

Por volta de 1850 ou 1851, (abandona-me a memoria, não posso precisar a data) porque o sol abrasador dos tropicos lhes crestava a fina epiderme britannica, porventura a satisfação de sua modesta ambição com a fortuna conseguida, saudades da velha Inglaterra, ou porque as brumas nataes eram precisas ao seu temperamento, retiraram-se Dovey e Benjamim, desprendendo-se a custo dos braços de Souto.

Rico, elle, que da classe popular se erguera a tão elevada e invejavel posição, porque não cerrou ali a sua vida comercial ?

Impellia-o a ambição ?

A ambição ! se elle foi sempre modestíssimo como a sua origem !

Era fatal.

Ha homens assim; a sua missão é trabalhar, trabalhar, trabalhar sempre e morrer trabalhando ! Antonio José Alves Souto, era um d’esses homens.

Para organições taes a inactividade é a morte.

Só, com o mesmo negocio, que largamente satisfizera as necessidades de tres, é intuitivo, que reduzir as operações da casa, por algum tempo ao menos, parecia acto de simples prudencia.

Foi o contrario que sucedeu !

A sua inquebrantável actividade tornou-se vertiginosa.

Vae fulgir com maior brilho a sua estrela.

O colosso comercial vae chegar ao Austerlitz da sua grandeza ! Ainda mal, que, como ao corso, com maior intervalo embora, lhe presenciaremos o Waterloo.

A demorada convivencia de Souto, a affectuosa intimidade, com os sócios inglezes, tinha de certa forma, modificado o seu caracter, infelizmente, na apparencia somente. A sua compostura tornou-se mais grave; a casaca preta, calças e colete da mesma cor ou brancos, era o traje de que constantemente usava. A physionomia, sempre iluminada por suave sorriso, adquiriu esse ar de bonhemia peculiar do negociante inglez; a voz retrahindo-a, sempre doce e harmoniosa, e mais agradavel pela sonoridade que assim adquiria, soava unicamente quanto era preciso para ser ouvida da pessoa a quem as dirigia, não procurando, ainda nas occasiões de mais viva discussão,  attrahir com o olhar os aplausos do auditorio.

Conseguira mostrar-se calmo; mas, não ser frio.

O rosto era sereno; o vulcão rugia lá dentro.

A palavra, porém, retractava fielmente o pensamento.

Dissolvida a sociedade, Souto, Dovey & Benjamim, participou aos fregueses continuar ele com o negocio; nem um só se retirou.

Ao contrario, os mesmos particulares, pequenos industriaes e trabalhadores principiaram a levar as suas economias à casa bancaria de Antonio José Alves Souto.

Em breve espaço, a affluencia de dinheiro a correr-lhe em deposito para os cofres, qual grossa torrente a despenhar-se vertiginosamente por alcantilado e aportado desfiladeiro, era immensa, enorme !

A face econômica da capital do império estava mudada.

Já ninguém queria dinheiro em casa.

– Dinheiro em casa … loucura ! …

– Mais seguro está elle com o Souto à minha ordem, vencendo juros.

– Tu não levas o dinheiro ao Souto ?

Eis ahi o que por todas as ruas se ouvia.

Era uma verdadeira romaria, de todas as classes e nações, sobraçando massos de notas do Banco do Brasil ou do tesouro, que, em testemunho de homenagem, levavam ao deus do ouro, para as fazer medrar.

Houve dias, sem crise nem corrida, em que era mister voltar duas e três vezes ao escriptorio, para conseguir acesso junto ao mostrador !

E se fosse só isso ! …

Em repartições anexas, faziam-se descontos de letras e contas assignadas, operações de cambio, vendas de apolices, acções de bancos, carregamentos de café, assucar e cannas.

Era magnífico, deslumbrante !

Que credito tinha aquelle homem !

Todas essas variadíssimas operações faziam-se com uma rapidez incrível.

O pessoal era o strictamente necessário mas, hábil, excelentemente adestrado, e animado do desejo de agradar, em razão da boa retribuição que recebia; e a honra de ser empregado do Souto levava-o a praticar prodígios de actividade, sem a menor confusão, de modo que, ao proceder-se de tarde à conferencia, raramente apparecia alguma duvida. E note-se que essa confiança sem limites, essa corrente de dinheiro para sua casa, já lhe estava sendo fortemente disputada.

O movimento comercial do Rio de Janeiro tinha-se desenvolvido espantosamente; e para satisfazer-lhe as necessidades, e – um pouco – estimulados pelo prestigio do banqueiro portuguez, – não digo levados da inveja da sua prosperidade, – havia já diversos bancos e alguns banqueiros, ou antes, ainda cambistas, mas que solicitavam descontos e foram mais tarde verdadeiras casas de banco.

De um extremo devia passar-se a outro; de nada a tudo. A reação foi violenta.

Veja a febre bancaria e industrial.

Todas as manhãs, ao abrir os jornaes do dia, havia certesa de encontrar o prospecto d’um novo banco ! 

Há poucos anos, tratando-se no senado da creação de um banco para auxiliar a lavoura, dizia um dos maiores talentos e estadistas brazileiros, Zacarias de Goes e Vasconcellos, que esse banco deveria ser inglez, porque no Brazil não havia um homem habilitado para o dirigir !

Esta proposição, severa e injusta actualmente, seria então verdadeira.

E, forte cegueira, todo o mundo queria crear bancos !

E não eram só bancos como companhias, para tudo … e outras cousas mais.

Eu presenciei esse espetáculo tremendo.

Não era febre, era delírio !

Por muito disparatada que fosse a ideia creadora do banco ou companhia, achava admiradores; as acções eram subscriptas; e, sem approvação de estatutos, o direito a recebel-as era transferido de manhã com 10% de lucro, à tarde com 100 e no dia seguinte com 200% !

A loucura foi geral !

A população inteira do Rio de Janeiro entregou-se à agiotagem !

Um medico, meu amigo, lamentou-se-me desesperado por ter vendido, de manhã, 100 acções com 60% de premio, que já valiam, horas depois, 70%.

O descalabro não se fez esperar !

Souto sahiu incólume da emergencia.

Com raro bom senso previu o resultado, conheceu o perigo, e evitou-o.

Ainda não havia manchas n’aquelle sol; o seu brilho tornou-se maior, rutilou com mais força.

O primeiro eclipse, vinha ainda longe; os seus raios beneficos tinham de fazer dasabrochar muitas fortunas, antes de principiarem a obscureccer-se.

A habilidade e prudencia que desenvolveu n’essa occasião, pois enormes foram as somas sahidas de sua casa, a principio, destinadas à compra de acções, causou geral admiração.

Desde então, foi Souto considerado uma notabilidade, uma potencia indispensavel para tudo.

Deputados, titulares, senadores, capitalistas, diretores de bancos e ministros de estado, encontravam-se frequentemente no seu gabinete commercial: todos ambicionavam a honra da sua intimidade.

Aos domingos, centenas de pessoas, da mais elevada como da mais baixa classe, iam passear à sua chacara.

Todos ali se sentiam à vontade.

É que ele a todos agradava com a sua lhaneza. Ao operário que ia ver os bichos, (leões, pantheras, ursos, etc.) como o povo os chamava, ou ao mais alto personagem, recebia sempre com o seu amavel sorriso.

Ao ocioso dizia-se; vao ver a chácara do Souto.

A quem tinha uma pretensão: arranja um empenho para o Souto.

Ao negociante em apuros: falla com o Souto.

Tocou o apogeu a sua grandesa.

Da eminente posição a que chegára não havia caminhar além: attingira ao Zenith !

E não sentiu deslumbramentos, não o inebriou a opulencia, não se atirou no turbilhão das festas, não humilhou ninguém com o seu fausto. Quem o vira então, simples e natural, na desvanecedora situação em que se achára, havia de presumil-o saído de dourado berço, poderosa e nobre estirpe !

A grandeza parecida feita para elle e elle para ella.

Todos se ocupavam da sua omnipotência; só ele parecia ignorar o que podia.

Honrado com a confiança do Imperador, recebia-o em sua casa e toda a família imperial, com a maior singeleza, sem o espalhafato ridículo dos preparativos burguezes em taes occasiões.

Ainda com a mão esquecida ao contato da dextra imperial aportava cordialmente a do operário honrado.

Longe de envergonhar-se da sua origem como tantos outros, que d’ella apagam a importuna lembrança com o brilho das comendas compradas, o visconde de Souto orgulava-se em rememoral-a: e, filho extremoso e irmão dedicado, attestava-a, chamando a todos para a sua companhia.

O irmão tomou parte nos seus trabalhos commerciaes, e em seguida estabeleceu-se; as irmãs casou-as com homens distinctos; a velha mãe teve sempre o logar de honra em sua casa, e morreu-lhe nos braços.”

… “Por esse tempo quebrou o banqueiro Ferreira, o seu primeiro patrão. O triste velho, que tão festejado fora, viu-se reduzido à última extremidade, de todos desamparado, ninguém lhe perdoava o excessivo amor dedicado a um filho, que para a perda da fortuna e honra do seu nome contribuiu.

Soube Souto o apertado transe em que se achava o desgraçado Ferreira. Não lhe soffreu o animo generoso esperar um momento; correu a procural-o e encontrou-o.

– Meu patrão, sei que precisa d’um amigo; e eis-me aqui.

– Obrigado ! Eu ia morrer; não sei como; mas breve; respondeu chorando, o alquebrado ancião.

– Vamos para casa; tenho lá uma numerosa família que o respeita e há de consolal-o.

E levou-o consigo.

À sua mesa ninguém se sentava antes do velho Ferreira chegar; os filhos e filhas beijavam-lhe a mão como ao pae; e as mais pessoas cumprimentavam-n’o como a um superior respeitado e amado.

Ali, o hospede era senhor.

O visconde de Souto, impressionava a quantos d’ele se aproximavam e impressionava-se facilmente.”

… “… não dava bailes e festas sumptuosas, que nunca os dera, raramente appareceia nas casas de espectaculo, sendo-lhe encanto único passear por entre as umbrosas arvores da chacara e refugiar-se, parte da estação calmosa, nas solidões da Cascatinha, propriedade sita na pittoresca e amena Tijuca, lendo, conversando com algum amigo ou observando os trabalhos de reparação e cultivo que se faziam; comprazia-se, porém, em contribuir para melhoramentos do município da corte, subscripções de toda a qualidade, liberdade de escravos, erecção de monumentos, fundação de instituições de caridade, protecção a famílias desamparadas, quer se tratasse de Portugal ou do Brazil, de portuguezes ou brazileiros.

 Elle amava Portugal como a terra do seu nascimento; o Brazil, aquella terra formosa, hospitaleira, como a patria de adopção; e brazileiros e portuguezes confundia-os no seu immenso amor ! N’aquelle peito não havia lugar para mesquinhas rivalidades.

O visconde de Souto era cosmopolita quando se tratava de caridade.

Quantas vezes seu irmão e filhos, occultamente, em carta fechada, levaram em avultadas quantias, o pão ao faminto, a coberta ao nú e o consolo a todos !

Que benéfica acção foi a d’aquelle homem ! Que grande e generoso coração era o seu !

Esse sentimento sublime de caridade contribuiu poderosamente para a extraordinaria popularidade e veneração de que gosou.

Dignatario da Ordem da Rosa, pelo Brazil, visconde de Souto por Portugal, estava pelo casamento dos filhos aparentado com as famílias do barão de Piracinunga, conde de Ipanema, marquez de Olinda e o notavel estadista, tantas vezes ministro de estado, Euzebio de Queiroz, casas das mais illustres do Brazil.”

“A catástrofe tremenda avizinha-se.

O anno de 1864 ficará para sempre tristemente memoravel nos annaes do Brazil e principalmente da sua capital.”

“Ninguem supunha então, é certo, que aquella guerra, celebre por tanto feito valoroso, praticado em combates navaes e batalhas campaes, duraria 5 anos, custaria quinhentos mil contos e cem mil homens; mas, o receio do desconhecido accomettia todos; e o capital, sempre tímido ao aproximar do perigo, retrahia-se violentamente.”

“Assim amedrontados os espíritos, o credito, em geral, foi-se restringindo; e os depositos escoando-se rapidamente da casa do visconde de Souto.

Por vezes, já os seus cofres, ao terminar o expediente, tinham-se fechado exaustos, sobre si mesmo.”

“Os depósitos confiados à sua casa achavam-se extremamente reduzidos e, por isso mesmo, a sua carteira vasia. A sua responsabilidade no Banco do Brasil subia a cerca de 30 mil contos, quando chegou o nefasto 10 de setembro de 1864 !

N’esse dia os seu pagamentos montavam a cerca de 1:000 contos; e nem a entrada de depositos os supria nem havia títulos em carteira para redescontar !

Importantíssimas eram as suas propriedades; o seu capital elevava-se ainda a três mil e tantos contos; mas um banqueiro d’aquelles não hypotheca casas e os seus devedores não lhe acudiam.

Esta situação foi debatida fria e silenciosamente no seu escriptorio com a diretoria do Banco do Brasil; e o resultado da conferencia foi o banqueiro suspender pagamentos.

Na tarde d’esse dia, espalhou-se o lúgubre acontecimento.

Os mesmos que suspeitavam a verdade, que anteviram aquelle desfecho, pasmaram de o vêr realizado !

O Souto suspender pagamentos ! … era a geral e plangente exclamação.

No dia seguinte, logo de manhã, a rua Direita e outras próximas estavam intransitaveis, tal era a multidão que as enchia.

Às 10 horas, manifestou-se a corrida às casas bancarias e aos bancos.

Decretavam-se medidas, extraordinarias: deu-se curso forçado às notas do Banco do Brazil, suspenderam-se os vencimentos commerciaes.

Era tarde !

Todas as casas bancarias, qual magestoso edifício, que na sua queda tremenda esmaga as humildes construcções, erguidas na sua vizinhança, foram feridas de morte no baque do colosso, cuja grandeza cubiçavam ! 

Umas fecharam logo as portas, outras luctaram, fizeram imensos sacrifícios e liquidaram desastrosamente em seguida !

A população do Rio de Janeiro, excepção feita d’um ou outro imprudente irreflectido, ignorante e sem coração, deu excelente testemunho do seu valor moral: nenhum attentado, nenhuma provocação, cordura admirável !

O que sofreu então o visconde de Souto, não se descreve; e não era por si, mas pelos seus credores que sofria.

Não se desfez em vãs lamentações, não se queixou de ninguém.

Aos seus olhos só havia um culpado: elle !

A sua atitude nobre e resignada impoz respeitosa dôr.

A mim, nunca elle me pareceu tamanho, como na desventura.

Dos milhares de contos de réis, que diariamente lhe passaram pelas mãos, tinha em casa, na hora do desastre, algumas dezenas de mil réis ! Abyssinios há-os em toda a parte; mas, ao descambar, aquelle grande homem, (honra lhes seja !) achou verdadeiros amigos a seu lado. Reuniram-se, juntaram cento e tantos contos de réis; e compraram para lhe offerecer, a propriedade em que residia, e as joias, na maior parte relíquias sagradas de família. O próprio imperador mandou sympathicamente manifestar-lhe o pesar que o seu imerecido infortunio lhe causava.  É que d’aquelle immenso desastre, sahiram immaculados o brio, a dignidade e a honra.

Escudado n’essas qualidades, voltou a trabalhar em corretagens, e ninguem inspirava mais confiança do que elle; o seu escriptorio estava sempre cheio.”

“Estas nobilíssimas acções não ficavam sem recompensa: elle amava o trabalho, precisava do trabalho para manter a família e exercer a sua atividade, e trabalho productivo não faltava no seu escriptorio.

Sem a lembrança dos prejudicados de 1864, o visconde de Souto teria percorrido quasi feliz os ultimos annos da vida. Não as tendo creado, não sofria necessidades. Era geralmente estimado; tinha uma família exemplaríssima, que o venerava; e os incommodos physicos não o atormentavam.

Se elle podesse esquecer ! …

O sorriso continuava a enflorar-lhe os lábios, mas era um sorriso tristemente melancholico.

Atravez d’aquella serenidade, via-se a dor que o pungia.

Desde 1864 tornou-se sujeito a longas horas de completa abstração.

A esposa e a mãe, não o vendo apparecer, seguiam pé ante-pé ao seu gabinete, e iam encontral-o recostado à secretária, com a cabeça apoiada na mão, murmurando: meus pobres credores ! … Outras vezes porque a meditação era mais profunda, a immobilidade mais completa, a concentração do espirito mais forte, as senhoras assustavam-se e diziam, chamando-o com essa entonação amorosa, dorida e meiga, que só as esposas e as mães conhecem: Antônio ! …

E o visconde de Souto erguia-se como quem disperta, beijava-as, desprendia-se-lhe dos braços e ia sob as arvores do parque, obscurecido pela sombra e o avizinhar da noite, procurar refrigério à febre que o abrasava.

Resumindo:

O visconde de Souto foi um grande homem.

Teve por divisa: honra e trabalho. Accommettido de um ataque apoplético no seu escriptorio commercial,

só deixou o campo da honrosa lide para ir morrer.

O seu glorioso objetivo foi a caridade.

Errou ?

Era homem.

A causa dos seus erros ?

A sua bondosa e extrema sensibilidade, a sua grandeza de alma e a generosidade do seu coração.”

Lisboa, 21 de fevereiro de 1880

José de Bessa e Menezes

Agradeço à Biblioteca Nacional de Portugal, em especial ao Serviço de Informação Bibliográfica (infobib@bn.pt) e à Área de Reproduções (reproduções@bnportugal.pt), por proporcionarem meu contato com esta emocionante e sensível biografia do Visconde de Souto, escrita por um amigo, que teve o privilégio de usufruir da convivência de um homem que quanto mais dele descubro mais o admiro.

 

Antônio Jose Alves Souto, Visconde Souto

& Maria Jacintha de Freitas Caldas

  1. Antônio Jose Alves Souto Junior, nascido em 23/08/1836.
  2. Anna Maria Souto, nascida em 1837 e falecida em 07/09/1904. Nome de casada Anna Souto Moreira, que teve uma filha de nome Luiza.
  3. João Jose Alves Souto (Maneco), nascido em 1839 e falecido em 21/10/1888. Casou-se com Rita de Queiroz Matoso Ribeiro, filha do Senador Euzébio de Queiroz, que conseguiu proibir o tráfico negreiro, através da lei que leva seu nome: Lei Euzébio de Queiroz. Tiveram uma filha, Julieta.

Luiz Viana Filho, no Capítulo XXI, denominado ‘O Rio Encantado’, escreveu: “Petrópolis, 1903. A princípio fora o refúgio contra a febre amarela. Agora, uma fonte de recordações. Lembra a infância, o pai, alguns amigos com os quais passeara na Cascatinha, o aprazível sítio onde veraneava o Visconde de Souto, cuja falência, em 1864, abalara o país. Aliás, era triste confrontar a opulência de outrora com o atual infortúnio dos Soutos. Rita, uma das noras do milionário, mandará a Paranhos estas palavras dolorosas: ‘Como me lembro daqueles tempos da Cascatinha em que eu e Maneco levávamos horas inteiras em agradável palestra com V. Exª. Oh ! como estava longe de pensar no triste futuro que me estava reservado. Como sofro, meu Deus ! Sr. Barão, tenha compaixão desta infeliz, que se prostra implorando a sua valiosa proteção, não seja surdo aos meus rogos.’ Outra das noras, Joana Souto, estava viúva, e lutava pra educar nove filhos. Enfim, era a vida com as suas misérias.”

Rita, do trecho do livro acima, era filha do Senador Euzébio de Queiroz, viúva de João José, o 3º filho do Visconde. E Joana era viúva de Guilherme José, o 11º filho do Visconde (pai de Eduardo Souto, compositor, que se tornou muito famoso). Segundo Francisco Souto Neto, Antônio José foi um dos filhos mais bem sucedidos do Visconde, porque chegou a ocupar a presidência da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro por três gestões. Porém, o fato de Juca ter sido enterrado em cova rasa, faz perceber que ele também teve um modesto final de vida (ainda tão jovem !). E já estava viúvo, certamente com dificuldades para educar os filhos. Mas tinha o honrado trabalho de chefe de trem, que naquele tempo equivaleria a um capitão de aeronave dos nossos dias. Realmente, os netos do Visconde, de um modo geral, tiveram vida dura.

4. Alfredo Jose Alves Souto, nascido em 1845 e falecido em 27/07/1862.

5. Francisco Jose Alves Souto, nascido em 20/03/1846, no Rio de Janeiro, morreu em 1890, aos 44 anos.

Casou-se uma primeira vez com Maria Luíza de França e Silva, em 19/02/1868 e consta não terem tido filhos.

De um segundo casamento, com Maria Lapa de Salles Oliveira, nasceram 5 filhos:

5.1 Alzira de Salles Souto

5.2 Arthur José Alves Souto

5.3 Carmem de Salles Souto

5.4 Fernando José Alves Souto

5.5 Francisco José Alves Souto Filho, nascido em 30/12/1871, morreu em 09/04/1872, aos 3 meses de idade, estando enterrado no Cemitério Municipal de Petrópolis, na sepultura 685, onde é conhecido como ‘Anjinho de Petrópolis’. http://nossosroteiros.com.br/blog/um-anjinho-na-familia/

Curiosamente, no túmulo consta que Maria Luísa Silvia Souto era sua mãe e na certidão de óbito, que está na Catedral de São Pedro de Alcântara, consta apenas o nome do pai.

5.6 Francisco Souto Junior

5.6.1 Arary Souto

5.6.1.1 Francisco Souto Neto é filho de Arary Souto, nascido em 1908 e falecido em 1963, que por sua vez era filho de Francisco Souto Júnior, neto de Francisco José Alves Souto. Sua mãe, Edith Barbosa Souto, nasceu em 1911 e faleceu em 1997.

Em junho/2008, através do GeneAll.net, estabeleci contato com o bisneto de Francisco Jose Alves Souto, Francisco Souto Neto, oportunidade em que fiquei sabendo que ele e a prima Lúcia Helena Souto Martini estavam escrevendo uma biografia de Jose Antônio Alves Souto: “Visconde de Souto – Ascensão e Quebra no Rio de Janeiro Imperial”.

Foi uma enorme alegria esse encontro viabilizado pelo GeneAll. Desde então, estamos sempre em contato, inclusive, Souto e Lucia Helena já estiveram no Rio de Janeiro em duas ocasião e pude desfrutar da companhia deles em vários bons momentos.

A biografia está pronta e publicada e tive a honra de comparecer com meu marido, Jose Roberto Ponce Grumbach, a noite de autógrafos em Curitiba (Paraná), em setembro/2017.

6. Pedro Jose Alves Souto, nascido em 20/02/1850 e falecido em 01/04/1877.

7. Manuel Jose Alves Souto, nascido em 01/12/1852 e falecido em 04/04/1893.

8. Emília Souto, nascida em março de 1855 e falecida em 22/02/1856.

9. Laurinda Souto, nascida em 15/10/1892.

10. Guilherme Jose Alves Souto, casado com Joana, pais de Eduardo Souto, compositor que se tornou muito famoso.

11. Isabel Souto, provavelmente falecida na infância.

12. Maria Souto

13. Jose Antônio Alves Souto, nascido em 16/01/1840, casou-se em 22/12/1862, às 18 horas, na Capela da Chácara do Souto, na Travessa do Campo Alegre, 22, com Luiza Lima de Araújo (Luiza de Araújo Souto, nome de casada), nascida em 26/10/1845,  filha do Barão e Baronesa de Piracinunga e neta materna dos Marques e Marquesa de Olinda. Tiveram 11 filhos.

Pintura de Jose Antonio Alves Souto, restaurado em 2018 pela Restauradora Paula O’Dena Mendonça, Ateliê de Conservação e Recuperação de Obras de Arte.

Era do Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional, conforme atestado: “Atesto que o Cidadão José Antônio Alves Souto é Guarda Nacional da 7ª Companhia do Corpo do meu Comando e como tal se acha fardado e presta o competente serviço. Para sua ressalva fiz passar o presente por mim assinado sob o Selo das Armas Imperiais, o qual deverá ser-me apresentado de quatro em quatro meses, para ser reformado ou novamente rubricado. Quartel do Comando do Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional do Município da Corte. Em 01/08/1865.” Nesta ocasião residia na Travessa do Campo Alegre, 22. Documento rubricado em 22/03/1866 e em 19/09/1866.

Atestado do Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional – Nº da Praça 149.

Começou a trabalhar com seu pai, Antônio Jose Alves Souto, em Corretagem, à Rua do Sabão, 3.

Em 27/09/1869, foi nomeado pelo Tribunal do Comercio, Corretor de Fundos Públicos e de Mercadorias.

Foi Presidente da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro durante três gestões: 1877, 1882 e 1883.

Teve duas propriedades, segundo o livro ‘Nova Numeração dos Prédios da Cidade do Rio de Janeiro’, de J. Cruvello Cavalcanti, escrito em 1878 e reeditado pelo Prefeito Marcos Tamoyo. Uma delas teria sido na Praça d’Acclamação (ou Campo de Sant’Anna, hoje Praça da Republica) nº 34 (um sobrado e outra na Rua do Conde d’Eu nº 306 (casa térrea), ambos endereços requintados na época.

Falecido em 24/02/1894, aos 54 anos, na Rua Desembargador Izidro, 37, e enterrado no nicho 79 C no Cemitério do Catumbi.

13.1. Jose Antônio Alves Souto Junior (Filho), carinhosamente chamado pelo Pai de Juca, nascido em 16/10/1863, às 04:30 horas, Parteira Madame Hoxse. Batizado na Capela Particular de Antônio Jose Alves Souto, na Tijuca, em 22/12/1863. Foram Padrinhos o Barão de Piracinunga e Maria Jacintha de Freitas Caldas. Fez a 1ª Comunhão junto com os irmãos Mimi (Luiza de Araújo Souto) e Juju, na Capela do Convento de Santa Tereza.

Temos uma cadernetinha, que guarda uma mensagem datada de 16/10/1880, escrita pelo Pai ao filho Juca, que muito nos emociona: “Juca, meu filho. Tu completas hoje 17 anos de idade, tens por conseguinte idade já para pensares maduramente em todos os teus passos. Quero que tu te divirtas, mas peço-te ao mesmo tempo que não te desvies por um instante do caminho do homem honesto e respeitador de todos, crê que é isto preciso para que te respeitem. A ninguém como a teu Pai deves ser franco e leal, não só quanto as tuas ações, mesmo as mais particulares tuas, como mesmo no teu pensar, crê que a ti, ninguém te quer mais bem que tua boa Mãe e teu pai. Eu quero crer e creio que meu filho continuará a ser: 1º Bom filho, 2º Bom irmão e parente e finalmente um bom cidadão e amigo, para poder como eu espero, ser o meu bom companheiro para a minha velhice e fazer as minhas vezes quando Deus te tirar o que ainda não podes bem avaliar: um bom Pai. Quem sabe se tua boa Mãe e tuas irmãs não precisarão muito de ti para o futuro. Meu filho sê feliz e sê homem para prazer do teu Pai.”

 

 

 

 

 

 

 

 

13.2. Luiza de Araújo Souto, carinhosamente chamada pelo Pai de Mimi, nascida em 11/09/1864, às 08:30 horas, Parteira Madame Hoxse. Batizada na Capela Particular de Antônio Jose Alves Souto, Travessa do Campo Alegre, 22, em 16/10/1864. Padrinhos Jose Antônio Alves Souto e a Baronesa de Pirassununga. Casou-se em 10/02/1883 com Constâncio Pereira Lima, filho do Dr. Gabriel Jose Pereira Lima, de Paty do Alferes. Foram testemunhas: Maria Bibiana A. Lellis e Silva, Jô. Anto. Moreira, Visconde e Viscondessa de Piracinunga. Casaram-se na Capela Particular do Visconde e Viscondessa de Pirassununga, na Rua Conde de Bonfim, 47. Tiveram seu 1º filho Constâncio em 20/01/1884, ao 1/2 dia com felicidade. Parteira Madame Dreibacher. Padrinhos Jose Antônio Alves Souto e Luiza Araújo Souto.

13.3. Judith Alves Souto, nascida em 16/10/1865, às 03:30 horas, Parteira Madame Hoxse. Batizada na Capela Particular de Antônio Jose Alves Souto, Travessa do Campo Alegre, 22, em 01/06/1866. Padrinhos Marques e Marquesa de Olinda. Em 26/10/1895 se casou com Manuel Gouveia Jardim.

Carta Testamento, datada de 18/02/1921, deixada com Nininha para ser guardada e aberta na presença dos irmãos, quando ela, Judith Souto Jardim, morresse. Nesta carta, ainda havia dois pedidos para que Nininha todos os anos mandasse celebrar uma missa por sua alma e que olhasse por Alfredo.

13.4. Maria Amélia de Araújo Souto, nascida em 27/12/1866, às 04:30 horas, Parteira Madame Hoxse. Batizada na Capela Particular de Antônio Jose Alves Souto, Travessa do Campo Alegre, 22, em 08/01/1867. Padrinhos Ana Maria Souto e Joaquim Henrique de Araújo. Fez a 1ª Comunhão na Capela Particular do Visconde de Pirassununga, à Rua Haddock Lobo, 57. Faleceu em 01/06/1881, às 18:00 horas, aos 14 anos, enterrada no Cemitério de São Francisco de Paula, Carneiro 7595. Sem descendência.

13.5. Luiz Gonzaga Alves Souto, nascido em 12/07/1868, às 21:00 horas, Parteira Madame Hoxse. Batizada na Capela Particular de Antônio Jose Alves Souto, Travessa do Campo Alegre, 22, em 15/08/1868. Padrinhos Francisco Jose Alves Souto e Dona Maria Henriqueta de Araújo. Falecido em 13/01/1901, na Rua Barão de Pirassununga, 1, solteiro, sem descendência.

13.6. Nasceu morta, em 05/06/1871 a 6ª filha, às 13:30 horas, Parteira Madame Hoxse. Sepultada no Cemitério São Francisco Xavier em 06/06/1871, Carneiro 733.

13.7. Joaquim Alves Souto, nascido em 18/04/1873, às 19:30 horas, Parteira Madame Hoxse. Batizado em 10/06/1873 por estar a morte. Padrinhos Sofia, acredito que possa tratar-se de Sofia Paulina Pongerard, filha de Monsier Pierre Pongerard e afilhada de Jose Antônio Alves Souto e de Luiza Lima de Araújo, e o Tio Rodrigo, Rodrigo Jose, irmão do Visconde Souto. Morreu em 14/06/1873, às 15:30 horas. Sepultado no Cemitério São Francisco Xavier em 15/06/1873, Carneiro 212, 1º Quadro.

13.8. Antônio Jose Alves Souto Neto, nascido em 11/07/1874, às 22:15 horas, Parteira Madame Hoxse. Batizado em 15/08/1874, na Capela Particular de Antônio Jose Alves Souto, Travessa do Campo Alegre, 22. Padrinhos Domingos Custodio Guimarães e Maria Bibiana de Araújo Guimarães. Morreu ainda bebê, em 03/11/1874, à 1 hora. Sepultado no Cemitério de São Francisco Xavier, no dia 03/11/1874, às 17:00 horas, Carneiro 528, 1º Quadro.

13.9. Henrique Jose Alves Souto, nascido em 21/06/1877, às 15:00 horas, Parteira Madame Driebacher. Batizado na Igreja do Engenho Velho, em 13/07/1877. Padrinhos a Baronesa do Rio Preto e João Jose Alves Souto, 1ª Comunhão, junto com Alberto, em 28/12/1892, na Capela dos Barões de Pirassununga, Rua Conde de Bonfim, 89. Em 18/04/1903 se casou com Lídia Pulquerio da Silva, filha de Luiz Pulquerio da Silva & Francisca Maria Dantas.

13.10. Alberto Jose Alves Souto, nascido em 21/02/1879, às 16:30 horas, Parteira Madame Driebacher. Batizado em 27/04/1879, na Igreja de São Francisco Xavier do Engenho Velho. Padrinhos Sofia, acredito poder tratar-se de Sofia Paulina Pongerard, filha de Monsier Pierre Pongerard, e afilhada de Jose Antônio Alves Souto e de Luiza Lima de Araújo, e João Antônio Moreira. 1ª Comunhão, junto com Henrique, em 28/12/1892, na Capela dos Barões de Pirassununga, Rua Conde de Bonfim, 89. Casado com Perpetua Maria da Conceição em 27/05/1900. Faleceu em maio/1948.

13.11. Eduardo Jose Alves Souto, nascido em 03/02/1881, às 17:00 horas, Parteira Madame Driebacher. Batizado em 01/05/1881, na Freguesia do Engenho Velho. Padrinhos Manoel Jose Alves Souto e Isabel Souto. Em 12/07/1902 se casou com Georgina Maria da Silva, filha de Pedro Jose da Silva & Angelina Maria da Silva.

– aqui será inserido um retrato 10,5 x 6,5 de Jose Antônio Alves Souto, ainda bebê, no colo de uma escrava.

Guardamos conosco, com muito carinho, um diário de Jose Antônio Alves Souto, datado de 1º de janeiro de 1863, em que há relatos das iniciativas dele de libertar escravos já em 1863, ou seja, 25 anos antes da Lei Áurea.

Neste diário há anotações do preço da liberdade de 2 pardinhos de 10 e 11 anos, por ocasião da chegada de volta do Paraguai do General Ozório e de 1 pardo quase branco.

Além de ter dado liberdade, sem remuneração e sem condição, às suas escravas Florinda, em 1863; Germana, alguns anos depois de Florinda; Joanna; Allexandrina; ao pardo Leopoldino, em 16/01/1886; além de ter pagado pela liberdade de um escravo pardo de nome Ireno, pertencente à Baronesa do Pillar.

– Aqui será inserida foto 16,5 x 11 de Jose Antônio Alves Souto com seus filhos Jose Antônio Alves Souto Junior e Luiz Gonzaga Alves Souto.

Sobre Jose Antônio Alves Santos Junior, carinhosamente chamado pelo pai de Juca, nascido em16/10/1863:

a) nomeado para o posto de Tenente da 3ª Companhia do 9º Batalhão Patente: “O Generalíssimo Manoel Deodoro da Fonseca, Chefe do Governo Provisório constituído pelo Exército e Armada, em nome da Nação: Faz saber aos que esta Carta Patente virem, que resolve nomear o cidadão Jose Antônio Alves Souto Junior para o posto de Tenente da 3ª Companhia do 9º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional da Capital Federal e como tal gozará de todas as honras e direitos inerentes ao posto; pelo que manda a autoridade competente que lhe dê posse depois de prestado o devido juramento; aos Oficiais superiores que o reconheçam, honrem e estimem e a todos os seus subalternos que lhe obedeçam e guardem suas ordens no que tocar ao serviço Nacional, tão fielmente como devem. Em firmeza do que, lhe mandei passar a presente Carta por mim assinada, que se cumprirá como nela se contem, depois de selada com o selo grande das Armas da República. Sala das Sessões do Governo Provisório no Rio de Janeiro, em 10/01/1891, terceiro da República.” Por Decreto de 10/12/1890 e Despacho do Ministro e Secretario de Estado dos Negócios da Justiça. Registrada às folhas 71 do Livro 14 de Patentes. Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça, em 15/01/1891.

Carta Patente assinada pelo Generalíssimo Manoel Deodoro da Fonseca, Chefe do Governo Provisório constituído pelo Exército e Armada, em nome da Nação

b) nomeado para o posto de Capitão da 3ª Companhia do 9º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional da Capital Federal, conforme Carta Patente: “O Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brasil: Faz saber aos que esta carta patente virem que resolve nomear o Tenente Jose Antônio Alves Souto Junior para o posto de Capitão da 3ª Companhia do 9º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional da Capital Federal e como tal gozará de todas as honras e direitos inerentes ao posto pelo que manda a autoridade competente que lhe de posse depois de prestado o devido juramento; aos Oficiais superiores que o reconheçam, honrem e estimem e a todos os seus subalternos que lhe obedeçam e guardem suas ordens, no que tocar ao Serviço Nacional, tão fielmente como devem. Em firmeza do que, lhe mandei passar a presente Carta por mim assinada, que se cumprirá como nela se contém, depois de selada com o selo grande das Armas da República. Palácio da Presidência no Rio de Janeiro, em 06/05/1892, quarto da República.” Por Decreto de 19/04/1892 e Despacho do Ministro e Secretario de Estado dos Negócios da Justiça. Registrada às folhas 98 verso do Livro 15 de Patentes. Secretaria de Estado dos Negócios da Justiça, em 11/05/1892.

Carta Patente assinada pelo Presidente da Republica dos Estados Unidos do Brazil Floriano Peixoto

c) “O Ministro de Estado da Justiça e Negócios Interiores, em nome do Presidente da República, resolve declarar que o Oficial mencionado nesta Patente foi por Decreto de 28/01/1899 classificado na 3ª Companhia do 11º Batalhão de Infantaria, em virtude da nova organização dada a Guarda Nacional desta Capital pelo Decreto 3206 daquela data.” Capital Federal, em 03/02/1899. Registrado às folhas 4 do Livro competente do Quartel do 11º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional, em 02/03/1899.

Carta Patente assinada pelo Ministro de Estado da Justiça e Negócios Interiores Epitácio Pessoa

d) “O Ministro de Estado da Justiça e Negócios Interiores, em nome do Presidente da República, resolve declarar que por Decreto de 25/08/1900, o Oficial mencionado nesta patente foi transferido para a 2ª Companhia do 1º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional desta Capital.” Capital Federal, 01/09/1900. Registrada na apostila, às folhas 26 do Livro 27 de Patentes, em 03/09/1900.

e) “O Ministro de Estado da Justiça e Negócios Interiores, em nome do Presidente da República, resolve declarar que por Decreto de 29/09/1900, ficou sem efeito o de 25/08/1900, na parte em que transferiu o Oficial mencionado nesta patente para a 2ª Companhia do 1º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional desta Capital, o qual passa a agregado do 15º Batalhão da mesma arma.” Capital Federal, em 11/10/1900. Registrada na apostila, às folhas 32 do Livro 27 de patentes, em 13/10/1900. Carta Patente pela qual foi nomeado o Tenente Jose Antônio Alves Souto Junior para o posto de Capitão da 3ª Companhia do 9º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional da Capital Federal como acima se declara. Registrado no livro competente às folhas 4 Quartel do Comando do 9º Batalhão de Infantaria da Guarda Nacional da Capital Federal, em 13/09/1898.

f) Foi Encarregado do Depósito de Inhaúma do encanamento geral d’água a Capital e Feitor dos encanamentos (registrado em requerimento datado de 06/12/1902.

Morreu em 23/01/1905, aos 42 anos, de arterioesclerose.

Relativamente à morte de Jose Antônio Alves Santos Junior, o Juca, documento do Serviço Funerário da Prefeitura do Districto Federal Nº 812, faz consta que: “O Snr João Jacintho Fernandes, morador à rua Moreira nº 6A, pagou nesta Agencia a importância de vinte mil reiz (Rs 20$000) pelo enterro de adulto Nome Jose Antônio Alves Souto Junior, naturalidade brasileiro, estado viúvo, idade 42 anos, profissão chefe de trem, falecido de arterioesclerose, à rua de … nº 17, districto de …, devendo ser inhumado na cova rasa nº 3832 – Quadro nº 6. Agencia do 19º districto, em 23 de janeiro de 1905. O Agente, Felix Machado …”

Desenho de Jose Antônio Alves Souto Junior, feito por Orlando Siqueira, e dedicado à Irene Santos Souto, que foi emoldurado para melhor conservação.

– Aqui será inserido retrato 16 x 10,5 de Jose Souto, dedicado à Irene Santos Souto, datado de 29/06/1904, assinado J.T.A.N.

Saquinho de pano com ‘Orações do meu querido pai Jose Souto, em 1904.’

‘Do sagrado e precioso leite da Virgem Maria, o Souto aí vai com as armas de Deus, vai armado com precioso leite da Virgem Santa Maria, vai borrifado, não será preso, nem afrontado, nem dos seus inimigos será encontrado, ele foi e voltará, em sua casa entrará em paz e alegria, assim como viveu Jesus Cristo no ventre da puríssima Virgem Maria. Pai Nosso e Ave Maria. Meu Pai Jose Souto. Em 24/09/1904.’

‘Oração de Nossa Senhora da Guia: Com bem estou eu e Maria, coberto com o manto da Virgem da Guia, paz adiante, paz atrás, Nossa Senhora da Guia será minha Mãe, Jesus Cristo será meu Pai, seus apóstolos serão meus companheiros, as onze mil Virgens serão minhas irmãs. Os meus inimigos terão olhos não me verão, terão boca não me falarão, terão braços não me pegarão, terão pernas não me alcançarão; olhos terão tapados, boca terão fechada, braços terão atados, pernas terão quebradas, caminharei mais adiante, encontrarei uma delicada Cruz, onde o anjo Gabriel saudou a Virgem Maria. Pai Nosso e Ave Maria.’

‘São Bento d’água benta Jesus Cristo no altar, se houver algum inimigo, que se arrede deste lugar. Ando com Deus adiante, paz na Guia, são meus protetores Santo Antônio e a Virgem Santa Maria. Todos são fogo, eu sou água. Deus que nunca o temes, quem poderá mais que eu ? Pai Nosso e Ave Maria.’

 

Jose Antônio Alves Souto Junior

& Alice Ferreira dos Santos, filha de João Ferreira dos Santos e Maria Fausta de Queiroz Santos,  casou-se em 19/01/1884, na Matriz de São Francisco Xavier do Engenho Velho, ele aos 20 anos, ela aos 17 anos. Foram testemunhas Jose Moreira Queiroz, Maria Bibiana A. Lellis e Silva, Viscondessa de Piracinunga e Jose Henrique de Araújo. Morreu em 29/02/1898, sepultura 13389.

– Certidão de casamento de Jose Antônio Alves Souto Junior e de Alice Ferreira dos Santos.

1. Irene Santos Souto (Nininha), bisneta dos Barões do Rio Negro, sobrinha-neta da Baronesa de Pillar, nascida em 16/12/1887. Faleceu em 05/03/1965, às 03:20 horas, aos 78 anos, de câncer de laringe, no Hospital dos Servidores do Estado.

“A Prima Nininha felicita pelo seu aniversário natalício, desejando que a Senhora que esse cartão representa a protejam e de todas as felicidades. Abraço com affecto a tia e Prima Baronesa do Pilar. Mariquinhas. Em 11/12/1906.” (Nininha, apelido carinhoso de Irene Santos Souto)

Casou-se com Henrique Eduardo Grumbach, em 06/11/1907, às 13 horas, passando a se chamar Irene Souto Grumbach, com quem teve quatro filhos:

1.1. Alice Grumbach

1.2. Helena Grumbach

1.3. Joseph Grumbach

1.4. Raul Grumbach

Quando se casaram, Henrique Eduardo Grumbach tinha 26 anos, era empregado no comércio e residia na rua do Dsembargador Isidro, 73 e Irene Souto Santos tinha 19 anos e residia na rua do Barão de Pirassununga, 1.

Prossegue em Descendência Francesa.

– Aqui será inserido retrato 26 x 28,5 de Irene Santos Souto, aos 12 anos, no Colégio (?), com a turma e a professora.

2. Arino dos Santos Souto nasceu em 10/11/1885, às 18:00 horas. Requereu ao Juiz dos Órfãos da 1ª Vara sua nomeação para o cargo de tutor de sua irmã Irene dos Santos Souto, menor púbere. O Inventariante de Jose Antônio Alves Souto Junior foi Manoel Gouveia Jardim Telles, conforme uma via da Certidão da 1ª Vara de Órfãos da Cidade do Rio de Janeiro, datada de 31/05/1907. Foi enterrado na sepultura 9654 quadra 32. Arino casou-se com Maria Isabel e tiveram três filhos;

2.1. Helena

2.2. Oscar

2.3. Hildo

– Aqui será inserido retrato 10,5 x 6,5 com uma dedicatória de 11/10/1897, aos 20 anos, de Henrique Jose Alves Souto ao irmão Jose Antônio Alves Souto (Filho) como sinal de muita amizade (ambos filhos de Jose Antônio Alves Souto e de Luiza Lima de Araújo).

– Aqui será inserido retrato 22,5 x 17,5 da vovó Mariquinhas de Queiroz Ferreira dos Santos.

– Aqui será inserido retrato 17,5 x 25,5 onde aparecem 5 pessoas, três delas identificadas como vovô Santos, Tia Ainda e Tio Ataliba.

– Aqui será inserida fotografia 19 x 24 da Estrada de Ferro da Tijuca – Casas da Máquinas Elétricas, datada de 22/05/1904, dedicada por João Navarro, autor principiante, oferecido ao amigo Jose Antônio Alves Souto Junior (J.T.A.N. 1904).

– Aqui será inserida fotografia 13 x 18 das canalizações para Engenho de Dentro – Viaduto sobre o Rio Faria – Estrada de Ferro Rio D’Ouro, datada de 10/07/1904, assinada com as iniciais J.T.A.N.

– Aqui será inserida fotografia 19 x 23,5 do Viaduto das novas canalizações para Engenho de Dentro – Brasil – Estrada de Ferro Rio D’Ouro, datada de 10/07/1904, assinada com as iniciais J.T.A.N.

Vida que segue …